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sexta-feira, 21 de outubro de 2011

CELEBRAR A CASA

 .
Nunca é demais celebrar a casa,

o lugar onde mitigamos as nossas memórias,
a nossa simplicidade nas esperas.
 .
É o lugar para soletrar segredos à nossa própria impiedade,
num desespero secreto, alheio aos rumores que vêm
do mais fundo das trevas
onde mergulhamos a cabeça vigilante.
 .
Partimos dela para as lonjuras, a cisma e a ficção,
a utopia de estóicos logros.
 .
E recomeçamos pela madrugada
a contar os dias lestos que definham
no ar parado dos mistérios duradoiros,
na roupagem do silêncio e do enlevo
pelo infinito dum beijo prometido
.
em "Causas de Habituação", a publicar

domingo, 16 de outubro de 2011

SARAU DE POESIA EM BARÃO DE S. JOÃO


 .
Uma noite de Poesia com a participação especial de elementos do blog lagos
e de participantes na colecção "5 Poetas de Lagos".
Uma produção de Chico Lumière.

Pode ver aqui o poema que eu li


terça-feira, 11 de outubro de 2011

AS CORES DIZEM O TEMPO

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As cores dizem o tempo,
o granizo que embranquece as arestas do granito,
o hortelã respirando pequenas flores de sabor a sul.
-
Ó a antiga sapiência das árvores
e dos caminhos
e da plenitude nas planícies de verdura!
-
Como não hei-de segredar o teu nome
ó bonina de incenso, em noites de paixão,
nos pântanos que parecem eternizar os teus segredos?
-
És o pólen e a cegueira
de espirais hipnóticas de paz e medo,
em águas nascentes de musgo e de frescura.
-
És a vertigem duns olhos feridos pelo orvalho
das manhãs, ao cair da tarde
.
e eu te invoco na busca dos limites
que fazem o fascínio, a vigília perturbada
do teu violoncelo  tocando ao vento.
...
-----em Poemas Soltos & Dispersos, 2º volume
. -----
       Veja também a nova postagem sobre "A Febre do Ouro"

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

POEMA A PIERRE CURIE


Poema a Pierre Curie   
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Viveste entre a pecheblenda e os ácidos
entre os deleites de Maria e a ânsia
o frenesim activo dos metais.
 .
Buscavas os segredos da vida
feita mistério no coração duma pedra
muda quieta indecifrável
que vive de pequenos espasmos de energia
e brilha na escuridão dos séculos.
 .
O teu raciocínio era bom
trazia a justificação do ovo
o segredo mais íntimo das estrelas.
 .
Mas uma tarde partiste.
 .
Como toda a gente.
 .
Mas tu não partiste como toda a gente.
Morreste a pensar, a remoer o pensamento
a revolver a alma duma pedra.
 .
Por isso não morreste para sempre.
 .
Embora não contasses
que o distraído mecanismo duma roda
pudesse apagar nas estrelas,
o voo dum pássaro ao coração dum ovo.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

LAGAR DE AZEITE

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                  POEMA EM LOUVOR DO AZEITE

Dizem do modesto ramo de oliveira a paz
e dizem-nos do seu ditoso fruto a luz
que iluminou as noites de reflexão dos gregos.

Só por isto eu teria de louvar o puro azeite,
este lugar eleito, este lagar de azeite
onde a prensa arrebatava a flor dos fluidos
que dão perfil e força às veias da memória.

Também nos dizem do primado do seu reino
de enfrentar o frio, a decrepitude, os rudes sóis
e nos proteger do estertor fatal da morte
graças à excelência dos seus ómega colestróis.

Mas mais que tudo pelo paladar, o gosto antigo
no bacalhau e noutros pratos celebrados,
na sardinha em lata como era nesse tempo,
na caldeirada, nas cavalas, nos charros alimados.
. 
No livro, a cada poema e fotografia corresponde uma nota histórico/etnográfica, 
de Brazão Gonçalves.
.
6 - LAGAR DE AZEITE  - Os antigos lagares eram movidos por tracção animal. 
Tal como a nora, eram também engenhos muito bem engenhados. 
Pesados troncos de cone em pedra eram accionados pela força de potentes bois. 
A azeitona massacrada até à medula, não dos ossos que os não tem, 
mas do caroço, lá ia gemendo e chorando as suas apreciadas lágrimas 
que haveriam de dar o rico e fino azeite para o prato 
e o menos fino e mais pobre para a candeia. 
A água ruça, ralé daquela viscosa sociedade, 
era desprezada como escória inútil e ia correr até aos ribeiros nos tempos puros 
em que nem chegavam a constituir poluição. Em tempos recuados 
e para aqueles cuja produção olivícola 
não bastava para utilizar os serviços do lagar da aldeia, 
o azeite chegava a ser produzido artesanalmente 
na própria casa do pequeno produtor, em pequenas lagaretas. 
Tal como acontece com as amendoeiras, e embora se trate de azeite e não de vinho,
também se pode dizer que é chão que já deu uvas.

em "Algarve Ontem", o meu último livro, recentemente publicado 
* No livro, as fotografias são a preto e branco.

domingo, 25 de setembro de 2011

Flores do Outono

 .
Agora vou reclinando o corpo
entre a terra e as estrelas.
.
O espaço é breve
para a brisa do mar
que ainda soa.
.
E no entanto,
adormeço
no meu sonho,
sereno de harmonias
.
incendiando o fino pó
da terra
com estas flores violentas,
...................exíguas, 
................do outono.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

AS VIBRAÇÕES DO AR

 ,
As vibrações do ar pronunciam a palavra  
num grito claro
de outras vozes, as nossas
-
que ressoam do interior de outros e de ontem
no seu próprio reverberar
.
como num rumor o silêncio audível
por cima do tempo breve que o prolonga
em muros persistentes
.
Mas dele se ouve apenas um eco
do interior processar das imagens
-
o nosso próprio reverberar de ecos
- processador de símbolos
.
inédito

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

POEMA A UM MENIR


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A pedra ali está, sereníssima,
há anos hibernada sem desespero,
à espera duns olhos comovidos
com quem reinventar os mistérios
da respiração tranquila dos matos.
 .Nota histórica:
Estão contabilizados mais de uma centena de menires, no Algarve. A maior parte encontra-se no Barlavento, na região de Sagres, por terra, certamente deitados ao chão pela mão do homem. Muitos deles devem ter sido eregidos, no final do Neolítico Europeu, entre 3000 e 4000 antes de Cristo e são símbolos pagãos. O seu significado continua envolta nalgum mistério, mas crê-se que poderiam assinalar locais sagrados virados para o culto da fecundidade, já que parecem ter sido concebidos como formas fálicas.
 .

 em ALGARVE ONTEM - o meu mais recente livro 

*Outros menires    aqui 
* Grato também pela preciosa colaboração de F. Castelo, que também remete para o seguinte link, sobre o assunto: aqui 

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

O TEMPO E O VENTO

 -
Eis o tempo.
Olha-o.
Tenta pôr-lhe a mão em cima.
.
Não!...
Nunca serás herói que nunca houve!
 .
O tempo é como o vento.
As nuvens
sou eu, és tu e são os outros;
não há vento que as não leve.
.
Já alguma vez
viste
a mesma nuvem duas vezes?
,
Já alguma vez
sentiste
o mesmo vento duas vezes?
 .
Não!
O vento é como o tempo.
As nuvens,
eu, tu e os outros...
não voltam.
 ,
O vento improvisa
o tempo também improvisa.
Um e outro
como as nuvens que levam
passam e já não voltam.
 .
Toda a coisa tem princípio.
 .
O vento
ao sol e à terra agradecido
é o menino perdido
de seu pai
o tempo.
 .
O tempo, que é o tempo?
Monstro de mil anos
chuva de erosão do universo;
o tempo
sopro frio ou quente
que tudo arrasta na corrente,
é o correr do berço à sepultura
é o olhar a espiga já madura.
 -
Todo o rio tem mar
toda a cidade tem cemitério
toda a verdade crua tem adultério.
 -
Eu, tu e os outros
somos a cidade flutuante
o rio que na descida ao mar vai ter
caminhando a passo para jusante.
-
O tempo é como o vento.
O vento,
átomos em movimento!
 ,

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

A capa de A Febre do Ouro

A capa de A Febre do Ouro, o meu último livro, elaborada com todo o esmero por Zé Francisco Luz, foi concebida através duma imagem colhida no Cabo de S. Vicente, no sudoeste algravio.
Ao olhar o imenso mar que se avista do mítico cabo, diz-se, o Infante D. Henrique terá cogitado na maneira de vencê-lo, ultrapassando as crenças terríficas e desencorajantes, que vinham desde a Idade Média. O persistente vento norte levaria os primeiros navegadores pela costa de África até ao Cabo das Tormentas, levando o Gama à Índia, ou o Cabral a Terras de Santa Cruz, o Brasil.
O local é desolado, muito agreste, apenas chão de rara e rasteira vegetação, bem condicente, em termos de espaço físico e subjectivo, com o Monte Negro do planeta da estrela ɛ de Eridanus, da minha estória.
E enquanto o Sol se aproximava da linha do horizonte do mar (muito revolto, como habitualmente, mas enevoado), o Zé ensaiava várias fotos tendo por enquadramento a Rute e o grande oceano.
Até que se deu o inesperado: dezenas e dezenas de automóveis chegavam ao local – o Promontório Sacro, segundo os Romanos – um dos três únicos locais do seu vasto Império, donde se via nascer... e pôr o Sol, sobre o mar.
E então não é que os visitantes - gente da Alemanha, França, Itália, Inglaterra, Espanha... - se puseram todos aos gritos e a bater palmas, quando o Sol começou a sumir-se no mar!
À semelhança do que se passou na ɛ de Eridanus...
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ler extractos do livro extraterrestres ou aqui

domingo, 14 de agosto de 2011

NOVO LIVRO DE POESIA

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Saiu hoje o meu 22º livro de poesia,
"Algarve Ontem"
Foi apresentado
durante a 3ª e última Homenagem à Figueira,
na Praia da Luz.
Na sequência, quiseram homenagear 
o meu cinquentenário de Vida Literária (1961/2011) 
e colocaram uma placa com o meu nome, 
na já célebre Figueira da Luz. 
A todos, o meu muito obrigado.
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quarta-feira, 10 de agosto de 2011

HOMENAGEM À FIGUEIRA


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É já no próximo Sábado, dia 13,
noite de Lua Cheia como nas duas anteriores,
o último Sarau Poético 
de Homenagem à Figueira 
- essa árvore tipicamente algravia  - 
na Praia da Luz. 
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quinta-feira, 4 de agosto de 2011

ALGARVE ONTEM

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,,,,,,As duas primeiras estrofes 
.......dum poema de 4 páginas 
.....que serve de apresentação 
...........do livro de poemas
...,."ALGARVE ONTEM"
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Um dos mais antigos brazões do Reino do Algarve

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1 - Algarve de Ontem
  .
Sou do tempo de um outro Algarve, outras regras e preceitos,
outra condição de gente humilde e nobre
que habitou este enredo de amendoeiras e alfarrobeiras,
gente que olhava nos céus os sinais que nunca vinham,
uma quieta intranquilidade nas estevas
que amassavam devagar o pão de trigo,
o funcho que trazia o cheiro das esteiras
onde iam secando as almas e o figo das colheitas.
 .
Era o tempo de um outro Algarve encoberto nas aldeias
e nos campos onde ardia o azeite da candeia,
a lanterna que acendia a escuridão das noites
subjugadas pelo frio agreste de acreditar num dia de fortuna;
das mulheres embrulhadas em seus xailes negros
herdadas de avós árabes que há séculos aqui viveram
e do luto prolongado de quem só tem a vida,
que a vida é mais do que só para ser vivida
também é uma ventura partilhada,
um modelo prometido de amparo e claridade.
(...)
 ,
A cada poema corresponde uma fotografia de antes de 1960. E a cada fotografia corresponde, no final do livro, uma das notas históricas e etnográficas, escritas por Brazão Gonçalves.

1 - O ALGARVE  - “Terra Morena” lhe chamou César dos Santos ao conceder este título a uma obra laudatória que, como grato algarvio, lhe dedicou.
Terra “mourena” se lhe poderia também chamar com histórica e mais que justificada propriedade. Com efeito, foram os mouros os nossos mais próximos antepassados e, quiçá, os mais prolongados habitantes, residentes, moradores e, de certo, apaixonados, desta apreciada e também invejada parcela do território português.
Foram eles que, dentre vastíssima herança, também nos legaram o nome que haveria de ser divulgado por esse mundo. O nosso nome Algarve não é mais que a evolução fonética, bem reduzida, aliás, do termo arábico que significa ocidente. Aqui, e até um bom bocadão mais ao norte, ao contrário do que por lá se quer acreditar, era aquilo a que os árabes chamavam Al Gharb Al Andaluz, ou seja, a parte ocidental do Andaluz, nome que davam à área por eles controlada politicamente na nossa Península.
À medida que os setentrionais invasores se iam apoderando de novas terras, a parte chamada Al Gharb ia diminuindo. Aquele que se apoderou da parcela final manteve-lhe o nome.
Posteriormente, os residentes, mouros e não mouros, fizeram a natural evolução fonética da palavra, como ficou dito.
A propósito da origem deste nome, vem aqui a propósito fazer lembrar que a palavra “algaraviada” não tem nada a ver com o nosso Algarve. Se este tem origem em “gharb” (ocidente), algaraviada tem origem em aravia (al-arabiia), a língua dos árabes. Também se lhe chama algaravia, ou apenas aravia, sugerindo depreciativamente língua obscura, difícil de entender.
A propósito também o depreciativo conceito que noutras partes existe em relação ao passado mais arabizado deste nosso Sul, deveria não ser esquecido que, quando o invasor suevo-galego-borgonhês aqui chegou, pasmo sentiu ao verificar o grau de desenvolvimento atingido por estas bandas. Na verdade, enquanto nas terras do nosso actual Norte se lutava entre mãe e filho pela disputa de um lugar com mais sol que o adversário, por aqui, em períodos bem recentes em relação a esse passado, no Palácio das Varandas de Silves faziam-se saraus de poesia e de música e discutia-se filosofia ao mais alto nível. Na opinião abalizada do Prof. Gomes Guerreiro, «.. de tal forma era evidente a sua diferença e o seu avanço científico-cultural em relação ao restante território já ocupado, que Afonso III o incluiu na coroa mantendo-lhe a categoria de reino que havia adquirido depois da dissolução do Califado de Córdova…». Esta distinção foi mantida até ao último dos representantes da vasta casa real europeia (a primeira grande multinacional), que aqui se foram reproduzindo.
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sexta-feira, 29 de julho de 2011

POEMA ÀQUELE SILÊNCIO

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Inúteis as palavras voam
sob o verme escaldante da poeira
 .
que em fogo rebentam pelo vento
dos olhos do exorcista
na cidade.
 .
Tal o rosto do teu sossego
a notícia inscrita
em teu silêncio.
 .
E assim te quero
– liberto
no chão lavrado
da semente  –
 .
calmo   destroços
frágil pavio
ardendo sobre um mar
de frio.
em O FRIO DOS DIAS, esg

sábado, 23 de julho de 2011

MERIDIONAL PRAIA LUSITANA


....
Uma generosa imagem de mar,
a liberdade abstracta dos horizontes
na transparência de limites inexactos.
 .
Uma vela ancha, um reino antigo
esta meridional praia lusitana
no pensamento íntimo do marinheiro.
 .
E as cores de leveza no chão das águas
expondo os seus búzios e anémonas
como um cristal perfeito do perfil do céu.
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........em "ALGARVE ONTEM", a sair brevemente


domingo, 17 de julho de 2011

ENCERRAMENTO DE EXPOSIÇÃO

 -
É já hoje, 6ª feira, dia 22, pelas 17 horas, o encerramento da minha exposição As Cores do Poema.
Vou estar no local - os Antigos Paços do Concelho de Lagos -, a partir das 15 horas, para receber todos quantos quiserem visitar a exposição. 
Conto com a presença de muita gente e anseio, muito particularmente, por vir a conhecer pessoalmente vários bloguistas amigos, vindos de outras partes do Algarve (e não só...) que me mandaram mails a me dizer que estariam presentes. 
Desde já, o meu obrigado.