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Ah..........inundemos o deserto
de flores
do deserto!
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em 37 Poemas (o meu primeiro livro) esg.
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Ah..........inundemos o deserto
de flores
do deserto!
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em 37 Poemas (o meu primeiro livro) esg.
Amor que amei amando o amor
amor à terra ao mar e à vida
que só de amor amando, amamos
Amor que amei amante .- amor
amor por ti por tudo e mim
amor ardor de amor.
Amor que ainda amo sem amar
que a tudo - à terra ao mar e à vida
amar amando amei de amor.
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em "O FRIO DOS DIAS", esg.
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as árvores respiram o ópio da noite
o frio tépido do sol em transe
Crisálida.... insecto-tépido voa
voa nas folhas.... em transe a seiva
E há.... o.... a.... insecto em transe
no canto puro da seiva
À noite o ópio é puro
manhã vem cumprir
a lei das coisas
E nasce em transe
o fogo.... o fumo
de.... o.... a.... insecto eterno
em trânsito.
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em "O FRIO DOS DIAS"
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Sob a influência de variadas energias e vapores,
a cobra enrosca-se na árvore do fogo.
É um exercício adoçado pela música das nuvens
grandes espasmos de alegria sobre a terra.
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Por ali passa a ebulição dos fluidos
actor de mil anos de efervescência
bailarino das areias consumado mestre
das intuições aprendidas desde a fonte.
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Vão sobrar as cinzas e as memórias
duma constelação de viagens ao sol
também o frio imparável dum estio vindouro.
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Mas esse é o destino das cores que empalidecem
quando nasce o dia e vem o vento violento
a varrer o chão onde vivem as pedras.
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Com as palavras dizemos
o que dizem as palavras.
Mas basta um aroma da mulher amada
para dizermos o indizível.
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inédito
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A minha vida faz-se de pequenas coisas
que não ficarão para a história do planeta
nem do país
nem da cidade
pequenas coisas insignificantes que são apenas minhas
pequenas insignificâncias
pequenas coisas de nada
que não mudam o sentido de todas as outras grandes coisas
nem a sua universal singularidade
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a sua verdadeira dimensão de idênticas pequenas coisas
que possam ficar para a história do mundo
ou do país
ou das cidades
feitas dessas pequenas/grandes coisas
exactamente iguais às minhas.
inédito
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Belo
é caminhar por entre o verde
saber que se ganha e que se perde
e ficar-se a sorrir, sempre.
Belo
é ver cair à volta o mundo
ouvir-se o lamento do moribundo
e ficar-se a rir eternamente.
Belo
é não pensar, não ler, fantasiar
e nas grandes noites
apenas sonhar, sonhar.
Belo
é o grande mar, o céu azul
e o doido que ri
sem saber o que quer ou o que não quer.
Mas o mais belo de tudo
é a mulher.
Todo o belo que existe cabe em si.
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em POEMAS PRIMEIROS (reedição)
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O tempo são estas asas sem memória,
um pássaro morto. Folhas ao vento
que discorrem sobre um discurso raso,
uma reminiscência de sulcos na praia,
numa praia vazia, cheia de ecos do mar.
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Estes muros são a nossa casa,
o modo austero de preservar
o tecto
onde encontrar um refúgio, o alento
para dizer as palavras indizíveis.
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Aqui coabitamos com as dúvidas
que escondem um instante efémero,
uma noção solene do nosso tempo breve
para discorrer sobre os acasos.
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Transpiramos as sombras espessas
que chegam depois da exígua claridade
ofuscando o brilho dos nossos olhos
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para que o amanhã de novo se construa
por cima dos nossos restos da luz morta.
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O frio
do frio dos dias
O frio
nas mãos vazias
O frio
nos olhos luz
O frio
chopin tocando
o frio
nos dedos quando
o frio
frio
chegando.
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em "O Frio dos Dias", 1980, esgotado
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Os trabalhos da luz
explicam as sombras da luz.
Disfarçam o seu ardor íntimo
articulado em saberes próprios
da ausência da luz.
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E somos nós os destinatários
os eruditos
em suas mistificações
para encobrir
do eterno retorno dos séculos
e de outras criaturas
também ciosas de luz.
perpassando na bruma antiquíssima da montanha
e tinham o silêncio trémulo transparente das estrelas
que se extinguem ao clarim da aurora
Os teus olhos tinham a serenidade dos grandes dias
iluminando a cinza prateada das escarpas
na cor serena tranquila das memórias
que renascem ao clarim da aurora
Os teus olhos tinham o sussurro rumorejante das ervas
onde crescem os ventos ágeis da planície
a luz milenar da manhã primeira
que me acordou ao clarim da aurora.
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