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terça-feira, 11 de setembro de 2012
POEMA EM NOVEMBRO
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sábado, 1 de setembro de 2012
A LIBERDADE
Fez recentemente meio século
que foi publicado o meu segundo livro de poesia
"Os Sinais da Terra".
"Os Sinais da Terra".
A obra viria a ser proibida, pouco depois,
pela Censura/Pide do regime salazarista.
Eis um dos poemas desse livro.
.
A liberdade natural
das palavras no deserto
.
a verdade livre
na palavra e na distância.
.
E esta inevitável ânsia
de fazer perguntas à cidade
.
e do impossível da resposta
inventar a cidade possível.
.
Ver documentos da época aqui
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domingo, 26 de agosto de 2012
poema àquela miragem
...............a ave
-
.......................e a nave
.
.
...............o breve
-
..........................e o leve
.
.
...............cristal de neve
.
em Poemetos I (esgotado)
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domingo, 19 de agosto de 2012
Bar da noite
Cigarros voam por cima dum balcão
em movimento
à beira da vertigem
prolongada pelo fumo.
-
Evapora o tempo dentro dos copos
cheios de névoa
abundantes do ar
que respiramos com os olhos.
-
Correm os fluidos no pensamento absorto
em labaredas de palavras.
-
E tudo é a efervescência dos dias vagos
imersos numa taça de marfim
no dia noite
por onde passam os instantes
que refazem o discurso das origens.
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quinta-feira, 9 de agosto de 2012
MEMÓRIAS
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Ainda restam uns pedaços do sonho
porque os sonhos perduram para além do sonho
porque a tua lembrança acende todas as lembranças
porque outras imagens murmuram a tua imagem.
.
É pois, o tempo das memórias,
da água que desliza sobre as águas
o vento que se dilui nos ares
a pedra petrificada restituindo a pedra.
.
Restos de palavras que dizem outras palavras,
de alegrias que imitam a alegria,
de pequenos silêncios no vazio silente
irrepetível do sonho
que fez de ti a tua imagem em outrem,
despedaçando-se,
até vir o ágil mar do sono.
terça-feira, 31 de julho de 2012
Barca
16 - BARCA
-
Contemplar esta imagem, esta barca doutros séculos,
essas personagens concretas que viveram outras
vidas,
outras balbúrdias de céus e mar, sob o tecto exíguo
dum amanhecer limpo de comparanças a outros tempos
~.
navegando a sóis e luas, ventos de sueste a norte
e marés de angústia ou fé na crença dos presságios
que liam nas cores inscritas em sinais do céu
nocturno
ou em búzios que luziam promessas de corvinas e
robalos.
-
Contemplar esta imagem é navegar estas águas, a crença
que presidia aos destinos, para sempre desprendida
duma onda que veio de longe aqui morrer, junto à
praia
onde se extingue a luz que desce devagar sobre os
olhos.
***
16 - Barca. Foi numa barca que
o diabo de Gil Vicente carregou os vários personagens da Trilogia das Barcas,
dos quais, após a crítica moral de cada um, apenas deixou passar para a barca
do Paraíso quatro cavaleiros que morreram combatendo e um parvo que não errou
por maldade.
Era também numa
mitológica barca que Caronte, o barqueiro dos infernos, para aí transportava as
almas dos mortos através do Estige, rio que rodeava esses mesmos infernos.
Mas aqui, neste
mundo, nesta terra, mais feliz e mais real, foi também em barcas que, em bons
tempos, se carregavam os nossos frutos secos para exportação e se descarregava
muito esparto e muita palma, com que se faziam as nossas úteis e indispensáveis
alcofas e demais artefactos, cuja utilidade actualmente se limita a ser
“souvenir” do visitante estrangeiro, mas que para nós ainda funciona como souvenir-saudade de genuínos tempos
passados.
-
em LAGOS ONTEM, 2ª Edição da Câmara Municipal de Lagos
*
Esta e as outras notas históricas e toponímicas do livro, são de José Paula Borba
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Trilogia das barcas de Gil Vicente
sexta-feira, 27 de julho de 2012
COMEMORAÇÃO
terça-feira, 10 de julho de 2012
EBOOK DE POESIA
sábado, 16 de junho de 2012
SEM TÍTULO 3
outra maneira de dizer o silêncio
é fechar a porta ao sonho
.
inédito
vai para "POEMETOS", 3º Volume
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quinta-feira, 7 de junho de 2012
O INSTIGADOR
O poeta só escreve o que ninguém sabe
só espera o que nunca pode dar-se
o milagre que não virá a repetir-se
o que nunca tampouco tem sentido
o poeta conhece as cores pelo cheiro
as formas pelo tempo
o grito pelo tacto
o poeta escapa entre os dedos
é um peixe paleocénico
o poeta chora em língua estrangeira
o poeta só não acredita no que crê
é um sábio geómetra doutras dimensões
de mundos paralelos que são planos
oblíquos, como espinhos no interior da
casa
só sabe da eterna ressurreição da palavra
na transmutação lunar dos dias
feito eco de fragrâncias mágicas
só crê na fraterna limpidez das seivas
na concreta viuvez dum líquen
o poeta é um bicho instigador
demolidor
quando sai à rua alimenta-se do ar
come pedras e pó
corre a cidade com os lábios cerrados
atrasa o abismo dos horários
e só embarca em navios com árvores por
dentro
e pássaros nos remos
direito ao grande mar da obscuridade
e da ciência abstracta dum beijo
O poeta não tem medo da chuva
nem de tremores de terra
mesmo com o ágil vento sobre a cabeça
o poeta sai descalço
avança sem medo por entre as pedras
porque nas pedras reconhece os cristais
e a lama
o poeta respira pelos poros
dos ouvidos
e é com os ouvidos que compõe
a música matinal perpétua
que traz nos olhos.
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sexta-feira, 1 de junho de 2012
A CIRCULAR DO PÓ
.
O tempo mastiga-nos os ossos
e depois a respiração.
-
Atira-nos à cara o medo dos poços
e desenvolve a equação
da ideia circular
do pó.
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sábado, 26 de maio de 2012
DEIXEM-ME DORMIR
.
Deixem-me dormir
deixem-me
a paz do sonho
.
o
deslumbramento
da
luz que sopra ainda
nos
meus olhos a criança
do
brinquedo
em
minhas mãos
.
o
alento de ver sorrir a madrugada
que
não volta
à
paz do sono da criança
que ainda sou.
que ainda sou.
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sexta-feira, 18 de maio de 2012
A Rainha das Abelhas
.
Salvé rainha das abelhas
excelente fêmea por excelência
de que lei
de que estruturas metálicas
de cera
de que longa brevíssima
caminhada para o sexo
para a vida
para o tempo de ir passando
sobre as flores
sobre a vida
sobre o tempo.
.
Máquina de fazer abelhas à
máquina.
.
Mãe mestra oblonga e prenha.
.
Nem ser
nem crer.
.
Máquina apenas.
.
Máquina.
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sexta-feira, 11 de maio de 2012
O DESPONTAR DO ENTENDIMENTO
Julguei que sonhava ao ouvir
aquela melodia impensável
do vento.
.
Mas eu estava desperto em todas as janelas do meu corpo
fora da lassitude de ignorar o tempo obtuso
dos dias.
.
O vento era uma sinfonia da minha solidão
o meu desvario instinto de procurar
o oculto no que está nos ares que piso
no ar que respiro com a minha pele.
.
E ele reconstruía-se num elo de ardências
semeando os graves a insinuar a inflexão
dos agudos para a vertigem,
ou as pausas breves que me despertavam as memórias
em puro alimento de paixão.
.
O vento retocava os beirais das casas com violinos
que ressoavam pelas pedras
numa amálgama de cores exóticas de frémito
e inocência
.
grande
como a espera pela primeira luz
a bater na vidraça do meu quarto o
despontar do entendimento
no deslizar inumerável dos dias.
.
inédito
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sexta-feira, 4 de maio de 2012
O FRÁGIL DIA DE HOJE
-
Tal como os passos dados na praia
o dia de hoje é frágil, apenas evocativo,
o chão onde cresce uma flor ambígua.
-
Tem o aroma bivalve, mediterrânico
de quotidianas algas sucumbidas nas areias,
traz notícias de longínquas luas derretidas
em pequenas conchas que habitaram sonhos.
-
É um espaço de presenças nuas que se dilui
na linha que separa as cinzas e o fogo,
.
mas é a margem onde escrevo as vozes suspensas
da minha veneração, da minha pura alegria,
.
do meu eterno desassossego na descoberta
.. pelo hálito concreto, fraterno, dos búzios.
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O FRÁGIL DIA DE HOJE
terça-feira, 24 de abril de 2012
ABRIL DO NOSSO DESCONTENTAMENTO
Por todas as razões o
país afunda-se
pela míngua
pela sorte dos sem
sorte
pela luz que se afoga
ao fundo do tempo
pelo frio
pela velocidade com
que os sedimentos
apenas se diluem na mágoa
pelas histórias
repetida
da história
pelos números
pelas letras
por um anti-ciclone
a arredar-nos dos
restos do mundo
e principalmente por
um ciclone numa seara verde
varrida pelo amarelo
sábado, 21 de abril de 2012
COM O TEMPO
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Com o tempo
um delírio impoluto cresce em
nossos olhos.
.
Aprendemos a distinguir
um sorriso, o riso austero, o
choro da criança
.
o sal que dá rigor às nossas vidas
ou rói o vigor dos ossos
que nos trazem ainda vertical
.
.
como sãos os exercícios
primaveris de palavras
nunca ditas
.
como que amarelecemos o tempo.
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sábado, 14 de abril de 2012
ANTOLOGIA INVERNO
Está publicada a Antologia de Inverno "Acordando Sonhos",
ed. Pastelaria Studios.
ed. Pastelaria Studios.
segunda-feira, 9 de abril de 2012
FONTE DE SABERES
Fonte de saberes é esta rua.
.
A pedra nua.
,
O umbral da porta velha
de ruídos e (de)lírios.
.
O lancil direito à luz
onde as sombras se afogam
numa sombra
.
a pronunciar um adeus
aos lírios e aos ruídos.
inédito
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