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segunda-feira, 1 de outubro de 2012

ESTAS MANHÃS


Estas manhãs de cores vivas, claras
que anunciam dilúvios de alegria
e incendeiam os olhos, as margens da terra,
 .
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estas manhãs volúveis, terríveis de plenitude
por onde se estende um rumor de asas
transparentes de ritmos, de vertigens breves,
onde redescubro antigos horizontes,
 -
 .
estas manhãs mágicas de tranquilidade
onde inscrevo, no limbo duma pedra,
o nome verdadeiro, liso, das cousas.
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em  TERRACHÃ, ed AJEA, esg.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

A CINZA DA TARDE


A cinza da tarde é uma subtileza da luz
e do seu destino de fulgências breves;
o engenho das cores numa ilusão de cinzas
para o dia fugidio, para os seus esteios.
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Esconde-se e esconde os seus trâmites,
o seu trânsito das palavras ditas,
um rosário de sons pronunciados
por lábios antigos, eruditos em fábulas,
mistérios de imaginar os seus termos.
 .
Penetra os olhos ágeis, simula o frio do ar,
a predestinação para a bruma dos ocasos,
dissimula a hábil vocação das flores
para o caminho da noite, sem ardis.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

PELAS TARDES DE SETEMBRO


Pelas tardes de Setembro
quando à tarde o sol esmorece a exígua luz
e a luz se desfaz na penumbra dos meus olhos
há um rumor no ar alucinado,
uma labareda de adultas asas de insectos adejando
o assombro que trará a bruma
às sombras da fatal melancolia.
 .
São os ecos dum naufrágio anunciado
em dissertações da ciência do tempo
os sedimentos dos rios
em exercícios da matéria frágil das flores,
suas folhas perecíveis,
seus estigmas que vão no vento.
 -
São as frases nunca pronunciadas
dum texto oculto desvendado
no declínio da voz inquieta
perturbada da terra.
 -
Atentemos pois, nesse momento único,
nessa clarividência da luz clara
esses pedaços da sombra,
como vozes de antigas melodias
das árvores nuas, arrebatadas.
 -
São a nossa própria essência,
um murmúrio das águas derramadas sobre a água,
vestígios de um cântico de paixão
sobre a terra chã, sobre o chão
que ecoa o nossos pés.
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inédito

sábado, 1 de setembro de 2012

A LIBERDADE

Fez recentemente meio século 
que foi publicado o meu segundo livro de poesia 
"Os Sinais da Terra". 
A obra viria a ser proibida, pouco depois, 
pela Censura/Pide do regime salazarista.
Eis um dos poemas desse livro.
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A liberdade natural
das palavras no deserto
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a verdade livre
na palavra e na distância.
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E esta inevitável ânsia
de fazer perguntas à cidade
.
e do impossível da resposta
inventar a cidade possível.
 .
Ver documentos da época aqui

domingo, 26 de agosto de 2012

poema àquela miragem

...............a ave
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.......................e a nave
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...............o breve 
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..........................e o leve
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...............cristal de neve
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em Poemetos I (esgotado)

domingo, 19 de agosto de 2012

Bar da noite

Cigarros voam por cima dum balcão
em movimento
à beira da vertigem
prolongada pelo fumo.
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Evapora o tempo dentro dos copos
cheios de névoa
abundantes do ar
que respiramos com os olhos. 
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Correm os fluidos no pensamento absorto
em labaredas de palavras.
 -
E tudo é a efervescência dos dias vagos
imersos numa taça de marfim
no dia noite
por onde passam os instantes
que refazem o discurso das origens.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

MEMÓRIAS

MEMÓRIAS
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Ainda restam uns pedaços do sonho
porque os sonhos perduram para além do sonho
porque a tua lembrança acende todas as lembranças
porque outras imagens murmuram a tua imagem.
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É pois, o tempo das memórias,
da água que desliza sobre as águas
o vento que se dilui nos ares
a pedra petrificada restituindo a pedra.
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Restos de palavras que dizem outras palavras,
de alegrias que imitam a alegria,
de pequenos silêncios no vazio silente
irrepetível do sonho
que fez de ti a tua imagem em outrem,
despedaçando-se,
até vir o ágil mar do sono.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Barca


16 - BARCA
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Contemplar esta imagem, esta barca doutros séculos,
essas personagens concretas que viveram outras vidas,
outras balbúrdias de céus e mar, sob o tecto exíguo
dum amanhecer limpo de comparanças a outros tempos
   ~.
navegando a sóis e luas, ventos de sueste a norte
e marés de angústia ou fé na crença dos presságios
que liam nas cores inscritas em sinais do céu nocturno
ou em búzios que luziam promessas de corvinas e robalos.
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Contemplar esta imagem é navegar estas águas, a crença
que presidia aos destinos, para sempre desprendida
duma onda que veio de longe aqui morrer, junto à praia
onde se extingue a luz que desce devagar sobre os olhos.

***

16 - Barca. Foi numa barca que o diabo de Gil Vicente carregou os vários personagens da Trilogia das Barcas, dos quais, após a crítica moral de cada um, apenas deixou passar para a barca do Paraíso quatro cavaleiros que morreram combatendo e um parvo que não errou por maldade.
Era também numa mitológica barca que Caronte, o barqueiro dos infernos, para aí transportava as almas dos mortos através do Estige, rio que rodeava esses mesmos infernos.
Mas aqui, neste mundo, nesta terra, mais feliz e mais real, foi também em barcas que, em bons tempos, se carregavam os nossos frutos secos para exportação e se descarregava muito esparto e muita palma, com que se faziam as nossas úteis e indispensáveis alcofas e demais artefactos, cuja utilidade actualmente se limita a ser “souvenir” do visitante estrangeiro, mas que para nós ainda funciona como souvenir-saudade de genuínos tempos passados.
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em LAGOS ONTEM, 2ª Edição da Câmara Municipal de Lagos
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Esta e as outras notas históricas e toponímicas do livro, são de José Paula Borba


sexta-feira, 27 de julho de 2012