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quarta-feira, 23 de setembro de 2009

EXCERTO de "VIAGEM ATRAVÉS DA LUZ"

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" VIAGEM ATRAVÉS DA LUZ"

é um só poema de 60 páginas (918 versos),

e vai ser apresentado na Livraria Barata,

na Avª de Roma, em Lisboa, no dia 15 de Outubro,

pelas 18 e 30.

Tem a chancela das Edições Papiro.

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(Um excerto do poema)


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Transitamos através da luz

somos a pura contemplação da luz

a linguagem o cinzel dum barco

em perpétuas lúdicas viagens

ao interior dum mapa

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e os nossos olhos acendem as manhãs

ébrios pela claridade das manhãs

na linguagem alada dos sentidos e das seivas

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buscam o segredo subterrâneo da alegria

por onde se estende o seio dos rios

as ervas que ecoam pelos caminhos claros.

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São a nossa mais delicada ansiedade

mas também a nossa paixão as suas divagações

pelo oculto obscurecido dos olhos

que ignoram o modo sereno da luz

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ou as imagens que fixam os contornos do tempo

em figuras intemporais seduzidas

pela linguagem das águas

pelo rumor do vento

na dimensão do céu animado pelo voo das aves.

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E são os contornos da paisagem o nosso mundo

a nossa dedicada veneração

este modo quase ausente de persistir

na busca de formas transcendentes

de imagens de modelos de palavras

gémeas do abstracto imaginário dos nossos olhos

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por onde guiaremos os passos

nas veredas insondáveis

da luz que se acende e apaga

a nossos pés

dentro de nós mesmos.


(...)

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sábado, 19 de setembro de 2009

HABITAÇÃO

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PRETÉRITO IMPERFEITO DUM GATO

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Um gato havia um gato na estrada

……….morto

cabeça de bosta corpo de terra

…...…..sujo

e havia um laivo sangrento no asfalto

……….habituado

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Um gato havia um gato

no mole da terra que a chuva

……….faz lama

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o rabo do gato no sítio

………..da lama

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o rabo do gato vazando por dentro

o sítio onde a lama já teve certezas

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o rabo do gato o rabo do gato

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…..……no asfalto

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..............habitado


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.....em "O FRIO DOS DIAS", esgotado

terça-feira, 15 de setembro de 2009

POEMA AO CONHECIMENTO

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……….
.“Se alguma vez quisermos ter um pouco
…….
....de conhecimento de qualquer coisa,
……
......é necessário separar-nos dela e olhar
……......apenas com a alma, as coisas em si mesmas
”

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…….
...Sócrates

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É preciso olhar as coisas com uma cuidada distracção
distanciamento quanto baste, fora do seu quadro de referências,
as imagens que correm, que corrompem outras imagens,
formando abstracções, outras realidades concretas,
da mesma cor dos estratos geológicos, lâminas sobre lâminas
horizontais, nas raízes movediças da terra.


Esta discrição permite ao raciocínio um perfeito raios x
capaz de ler noções como tempo, silêncio, drama,
o patamar incontestado dos segredos guardados em altas torres
só conhecidos dos iniciados na ciência dos magmas da terra.


E permite mostrar como é possível a serenidade comovente
de apenas olhar, sem paixão pelos gelos dos altos cumes,
desligado do fervor endémico de ver crescer o trigo
ou conhecer o imediato destino dum pássaro caído de asa
sem procurar as suas origens, o dilema de ser coerente.
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inédito

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

VIAGEM ATRAVÉS DA LUZ

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ANÚNCIO DE PUBLICAÇÃO

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O meu 17º livro de poesia
"
Viagem Através da Luz"
será apresentado brevemente em Lisboa,
na Livraria Barata,
(em data e hora ainda a indicar).
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quarta-feira, 9 de setembro de 2009

POEMA A UM DINOSSAURO

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É urgente estudar as pegadas dos dinossauros

que por aqui morreram há milhões de anos

deixando no ar este frémito de angústia,

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para algum ensinamento útil, alguma nova luz

sobre o comportamento das raízes febris,

mormente sobre a função do seu apego à terra.

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Nelas se reconhece uma ideia de passageiro

num alvo horizontal sobre o chão cercado.

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Têm a estrutura móvel, táctil, dum esteiro

organizado pelas ciências exactas do comércio

estratificado em paralelas camadas geológicas.

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Roçam o paradigma da precisão geométrica

como as estátuas, insinuando os gregos.

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Explicam os tijolos feitos do barro nupcial

a curvatura vã do céu observado à noite

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e são como um livro de sentenças insuspeitadas

que jaz na fronteira duma torre entreaberta.

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em TERRACHÃ, ed. AJEA

terça-feira, 1 de setembro de 2009

sábado, 22 de agosto de 2009

poema a uma rosa

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O meu nome é Eloíza

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onde queria eu estar senão em Ibiza

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no Mediterrâneo

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se trago esta rosa em flor

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no sub-cutâneo

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Algures no Mediterrâneo

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

PARA LOUVAR AS PALAVRAS

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Para louvar as palavras,

inventar a palavra exacta é um acto de amor

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o assento singular da sua pronúncia

a serena veneração de fantasias ideais

apreendidas ao longo das memórias.

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Respira dos ares a harmonia do seu halo,

ecoa pelos sentidos numa bonina suave

levada ao caminho para o tranquilidade

suspensa no espelho indolente dum lago.

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É idêntica vibração das cordas do peito

estendendo-se aos limites da plenitude

o saber deste exercício rigoroso de consciência

no discurso plural da palavra amar.

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em "Poetânea", ed Hugin

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

ALGARVE ONTEM

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....Gente humilde habitou séculos estes vales,

....na condição imponderável da angústia

....pelo fruto incerto da terra, pela sedução

....de apenas ver crescer o trigo, as chuvas

....do inverno anunciador da seara renovada.

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....Fazia-o em sua inocência agrária, medieval,

....trespassada por voláteis alegrias da luz

....a imaginar os crepúsculos esbeltos

....duma manhã irreprimível de harmonias.

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....E pouco entendia a náusea da afronta

....em que vivia: o pão exíguo, a obediência

....sem retorno ou gratidão, apenas uma enxada

....com que cavar a própria vida, a charneca

....onde semeava a ruína de seus sonhos.

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.....em "Algarve Ontem", a publicar

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

TAL COMO OS PASSOS

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Tal como os passos dados na praia

o dia de hoje é frágil, apenas evocativo,

o chão onde cresce uma flor ambígua.

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Tem o aroma bivalve, mediterrânico

de quotidianas algas sucumbidas nas areias,

traz notícias de longínquas luas derretidas

em pequenas conchas que habitaram sonhos.

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É um espaço de presenças nuas que se dilui

na linha que separa as cinzas e o fogo,

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mas é a margem onde escrevo as vozes suspensas

da minha veneração, da minha pura alegria,

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do meu eterno desassossego na descoberta

pelo hálito concreto, fraterno, dos búzios.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

SEM TÍTULO

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por estas ruas passo

e ardo

e penso

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suspenso

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no meu cansaço

ç

segunda-feira, 20 de julho de 2009

QUADRO DUMA EXPOSIÇÃO

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POEMA AO INFANTE D. HENRIQUE
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clicar para melhor ler
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Em exposição a realizar em Lagos, o quadro, duma série de 22,
terá as dimensões dum A3 e moldura.
O poema e ilustração (cada um em sua página e a preto e branco)
fazem parte do livro
"LAGOS ONTEM", 2 ª edição, da Câmara Municipal de Lagos

terça-feira, 14 de julho de 2009

O TEMPO PASSA À FLOR DUM VIDRO

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O tempo passa à flor dum vidro

transparente de angústias, de alegrias,

desfeito em silêncios, em ausências.

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Só nos sustenta a frescura lhana

das manhãs, a brisa apolínea dos estios,

porque buscamos a nudez, a despojada luz

o sonho rupestre persistente das origens.

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em "Transparências", ed. AJEA


quarta-feira, 8 de julho de 2009

HOMENAGEM A LEONEL NEVES

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A Universidade do Algarve, em Faro, homenageou o poeta algarvio Leonel Neves, no dia 10 de Julho.

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Leonel Neves nasceu em Faro, em 1921, onde fez a Escola Primária, mas as suas raízes levavam-no sempre para o Barlavento (Casalta, na serra, e Vale da Lama, junto ao mar, em Odeáxere, Lagos), durante as férias.

A continuação dos estudos foi em Lisboa, para cursar Matemática na Faculdade de Ciências e formar-se em Engenheiro Geógrafo. Durante este período, juntamente com Ário de Azevedo, Joel Serrão, Rui Grássio, pertence à redacção do jornal Horizonte, da Universidade de Lisboa.

Como poeta, em 1950, colabora com o compositor e guitarrista João Bagão, na renovação do fado de Coimbra, tendo o Dr. Paradela de Oliveira gravado dois dos primeiros fados. Fez, também, várias letras para a música do compositor e acordeonista António Mestre, que foram gravadas por Amália Rodrigues.

Encetou a sua actividade literária, publicando o 1º livro, Janela Aberta.

Depois de ingressar no Serviço Meteorológico Nacional, então no seu início, casa com Maria de Lourdes e, com os dois filhos, Ana Maria e João, parte para Santa Maria, nos Açores.

Vai a Londres onde se especializa com o Prof. Dobson na medição do ozono e, de regresso aos Açores, realiza das primeiras medições ozonométricas quando o problema da camada de ozono ainda não era do conhecimento público.

As suas actividades profissionais levam-no a Lourenço Marques (hoje, Maputo), Moçambique, onde exerce as funções de Inspector do Serviço Meteorológico, cargo que o leva a percorrer todo o território. O passo seguinte é Timor, em 1964, onde permanece dois anos e exerce as funções de Chefe do Serviço Meteorológico de Timor

Quando, em 1966, regressa a Portugal, colabora no grupo do Dr. Luís Góis, fazendo letras para vinte e duas canções e publica Natural do Algarve, Guimarães Editores, em 1968. A Universidade do Algarve fez uma 2ª edição, em 1986, prefaciada por David Mourão-Ferreira

A seguir à publicação do conto Como é a Primavera? no livro Primavera, Vol. 1 de Histórias e Canções em Quatro Estações, colecção coordenada por Maria Alberta Menéres, (Edições ASA), publica, em 1989, Ontem à Noite (Lisboa, Livros Horizonte).

A partir de 75, ensaia uma longa série de publicações de livros infanto-juvenis, muitos dos quais ilustrados por Tóssan, e participa na antologia coordenada por Luísa Ducla Soares (Areal Editores).

Nos últimos anos, Leonel Neves continua a escrever poesia e livros infantis: Visita inúmeras escolas, por todo o país, lendo e falando do seus contos, transmitindo a sua mensagem de fraternidade, mas também do imaginário e da utopia. O seu apego a uma sã pedagogia e convívio com as crianças, o seu sentido humanista e as reminiscências da juventude estão sempre presentes, e delas fez o sentido mais profundo da sua vida.

Morre, a 6 de Setembro, em Odeáxere, no concelho de Lagos. É trasladado para Lisboa, para o Cemitério do Alto de S. João, onde o corpo é cremado (como era seu desejo) e as cinzas depositadas no Jardim das Cinzas.

A 20 de Fevereiro, é postumamente lançado em sessão no Salão Nobre do Teatro Nacional D. Maria ll, Memória de Timor-Leste (Guimarães, Pedra Formosa, Edições). Foram ditos poemas pela actriz Maria do Céu Guerra e pelo editor, poeta Firmino Mendes. Na mesa estiveram presentes e falaram sobre o autor o Prof. Manuel Gomes Guerreiro (ex-reitor da Universidade do Algarve), o Prof. Ário de Azevedo (ex-reitor da Universidade de Évora), o Prof. Joel Serrão (historiador) e o Dr. José Blanc de Portugal (poeta, musicólogo e meteorologista).

Tinha inéditas as obras: Novas Histórias do Zé Palão e Adivinhas e Contos para Ler na Cama. E em projecto, a obra, Retrato de António Aleixo, para a qual havia reunido bastante documentação e trabalhava no livro de poesia A Cal Cúbica e as Manchas, que agora é editado.

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MINHA HOMENAGEM A LEONEL NEVES

meu grande amigo... e primo

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CAL CÚBICA

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Amigo, indefectível amigo,

amigo dos simples, das hortas, do milho

desabrochando deslumbramentos

a esvoaçar por cima de vales e serras

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já cá andam as andorinhas

que tu desenhavas em palavras

sobrevoando os lugares

de teus olhos transparentes, azuis

olhando antigas casas onde ardiam

os folguedos da tua juventude

a voz serena da simplicidade das coisas chãs

na água fresca correndo no leito antiquíssimo

do rio das tuas memórias.

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Já por cá andam as andorinhas

a desenhar as tuas palavras nos céus

a sobrevoar a cal cúbica das casas meridionais

da tua juventude

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o milho verde das frescas hortas

as serras os montes e os vales

da mesma água antiquíssima do rio

por onde andaste

com a simplicidade dos teus olhos azuis

na frescura de folguedos juvenis

desabrochando deslumbramentos

que apenas ficaram… sabes

nos versos que escreveste.

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Este poema já foi publicado no 1º volume de 5 POETAS DE LAGOS (Liliete Cardeira da Silva, Nídio Duarte, Cristiano Cerol, Pedro Magalhães e eu próprio), ed. do Grupo de Amigos De Lagos.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

HOMENAGEM AOS NATURISTAS

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Acabo de ser gentilmente convidado para o jantar comemorativo do 6º Aniversário do Club Naturista do Algarve, que tem lugar no dia 4 de Julho, no restaurante "O Cangalho", em Lagos. Na impossibilidade de estar presente, quero, no entanto, prestar a minha homenagem ao Grupo, com um poema.

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POEMA AO NATURISMO

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A paisagem dá forma à nudez dos corpos

o equilíbrio natural dos tons harmónicos

na luz morna que desce sobre a terra.

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É a aliança virtuosa entre o ar e a água

o recorte instintivo dos troncos das árvores

expondo as suas folhas e os seus frutos.

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Inédito


segunda-feira, 29 de junho de 2009

TUDO COMO DANTES

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Como dantes

radiantes

esfuziantes

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os elefantes.

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Opíparas

elegantes

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as amantes.

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E os bem falantes

meliantes

traficantes

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como dantes

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quartel general

em Abrantes.