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domingo, 4 de dezembro de 2011

AS CASAS (excerto)

Foi apresentado o livro "5 Poetas de Lagos", vol VI.
Eis um dos poemas da minha participação

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As casas
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Na cidade resvalamos pela lâmina dos dias
o contorno dos passeios antigos, as inscrições
do vento encurralado nos umbrais do tempo.
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Aqui tecemos a teia da luz e da sombra
volúvel, da nossa obediência ao sol,
ao claro/escuro ágil clivagem duma nuvem,
ou a cirros de sono no lilás da tarde:
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transitórios de corpos que são os nossos, hábeis
passageiros, limpos insectos de lábios trans-
lúcidos colados aos vitrais reflectidos para dentro,
onde roçam vestígios de amores idos
rasgados em sangue e esperma – versão a mais antiga
da pólvora/seta a mais veloz da ave,
submersos de pequenas minúsculas aranhas voando
ao indelével vento dum fio de seda,
a bafejar a pele do corpo antiquíssimo
desde o fumo mais imemorial
de todos os segredos da vida
.
trazidos no eco dos frutos do pólen que veio
de ainda além das montanhas e do mar,
talvez de ainda além donde as estrelas
disparam a cinza cadente na noite acesa
de luz e poeira
com que amassamos os olhos terríveis
dos deuses.
(...)
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O poema todo aqui

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

POEMA A UM DINOSSAURO

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É urgente estudar as pegadas dos dinossauros

que por aqui morreram há milhões de anos

deixando no ar este frémito de angústia,

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para algum ensinamento útil, alguma nova luz

sobre o comportamento das raízes febris,

mormente sobre a função do seu apego à terra.

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Nelas se reconhece uma ideia de passageiro

num alvo horizontal sobre o chão cercado.

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Têm a estrutura móvel, táctil, dum esteiro

organizado pelas ciências exactas do comércio

estratificado em paralelas camadas geológicas.

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Roçam o paradigma da precisão geométrica

como as estátuas, insinuando os gregos.

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Explicam os tijolos feitos do barro nupcial

a curvatura vã do céu observado à noite

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e são como um livro de sentenças insuspeitadas

que jaz na fronteira duma torre entreaberta.

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em TERRACHÃ, ed. AJEA