.. ………..“Se alguma vez quisermos ter um pouco …….....de conhecimento de qualquer coisa, ……......é necessário separar-nos dela e olhar ……......apenas com a alma, as coisas em si mesmas”
. ……....Sócrates
. .- É preciso olhar as coisas com uma cuidada distracção distanciamento quanto baste, fora do seu quadro de referências, as imagens que correm, que corrompem outras imagens, formando abstracções, outras realidades concretas, da mesma cor dos estratos geológicos, lâminas sobre lâminas horizontais, nas raízes movediças da terra.
Esta discrição permite ao raciocínio um perfeito raios x capaz de ler noções como tempo, silêncio, drama, o patamar incontestado dos segredos guardados em altas torres só conhecidos dos iniciados na ciência dos magmas da terra.
E permite mostrar como é possível a serenidade comovente de apenas olhar, sem paixão pelos gelos dos altos cumes, desligado do fervor endémico de ver crescer o trigo ou conhecer o imediato destino dum pássaro caído de asa sem procurar as suas origens, o dilema de ser coerente. . inédito
Em exposição a realizar em Lagos, o quadro, duma série de 22,
terá as dimensões dum A3 e moldura. O poema e ilustração (cada um em sua página e a preto e branco) fazem parte do livro "LAGOS ONTEM", 2 ª edição, da Câmara Municipal de Lagos
A Universidade do Algarve, em Faro, homenageou o poeta algarvio Leonel Neves, no dia 10 de Julho.
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Leonel Neves nasceu em Faro, em 1921, onde fez a Escola Primária, mas as suas raízes levavam-no sempre para o Barlavento (Casalta, na serra, e Vale da Lama, junto ao mar, em Odeáxere, Lagos), durante as férias.
A continuação dos estudos foi em Lisboa, para cursar Matemática na Faculdade de Ciências e formar-se em Engenheiro Geógrafo. Durante este período, juntamente com Ário de Azevedo, Joel Serrão, Rui Grássio, pertence à redacção do jornal Horizonte, da Universidade de Lisboa.
Como poeta, em 1950, colabora com o compositor e guitarrista João Bagão, na renovação do fado de Coimbra, tendo o Dr. Paradela de Oliveira gravado dois dos primeiros fados. Fez, também, várias letras para a música do compositor e acordeonista António Mestre, que foram gravadas por Amália Rodrigues.
Encetou a sua actividade literária, publicando o 1º livro, Janela Aberta.
Depois de ingressar no Serviço Meteorológico Nacional, então no seu início, casa com Maria de Lourdes e, com os dois filhos, Ana Maria e João, parte para Santa Maria, nos Açores.
Vai a Londres onde se especializa com o Prof. Dobson na medição do ozono e, de regresso aos Açores, realiza das primeiras medições ozonométricas quando o problema da camada de ozono ainda não era do conhecimento público.
As suas actividades profissionais levam-no a Lourenço Marques (hoje, Maputo), Moçambique, onde exerce as funções de Inspector do Serviço Meteorológico, cargo que o leva a percorrer todo o território. O passo seguinte é Timor, em 1964, onde permanece dois anos e exerce as funções de Chefe do Serviço Meteorológico de Timor
Quando, em 1966, regressa a Portugal, colabora no grupo do Dr. Luís Góis, fazendo letras para vinte e duas canções e publica Natural do Algarve, Guimarães Editores, em 1968. A Universidade do Algarve fez uma 2ª edição, em 1986, prefaciada por David Mourão-Ferreira
A seguir à publicação do conto Como é a Primavera? nolivro Primavera, Vol. 1 de Histórias e Canções em Quatro Estações, colecção coordenada por Maria Alberta Menéres, (Edições ASA), publica, em 1989, Ontem à Noite (Lisboa, Livros Horizonte).
A partir de 75, ensaia uma longa série de publicações de livros infanto-juvenis, muitos dos quais ilustrados por Tóssan, e participa na antologia coordenada por Luísa Ducla Soares (Areal Editores).
Nos últimos anos, Leonel Neves continua a escrever poesia e livros infantis: Visita inúmeras escolas, por todo o país, lendo e falando do seus contos, transmitindo a sua mensagem de fraternidade, mas também do imaginário e da utopia. O seu apego a uma sã pedagogia e convívio com as crianças, o seu sentido humanista e as reminiscências da juventude estão sempre presentes, e delas fez o sentido mais profundo da sua vida.
Morre, a 6 de Setembro, em Odeáxere, no concelho de Lagos. É trasladado para Lisboa, para o Cemitério do Alto de S. João, onde o corpo é cremado (como era seu desejo) e as cinzas depositadas no Jardim das Cinzas.
A 20 de Fevereiro, é postumamente lançado em sessão no Salão Nobre do Teatro Nacional D. Maria ll, Memória de Timor-Leste (Guimarães, Pedra Formosa, Edições). Foram ditos poemas pela actriz Maria do Céu Guerra e pelo editor, poeta Firmino Mendes. Na mesa estiveram presentes e falaram sobre o autor o Prof. Manuel Gomes Guerreiro (ex-reitor da Universidade do Algarve), o Prof. Ário de Azevedo (ex-reitor da Universidade de Évora), o Prof. Joel Serrão (historiador) e o Dr. José Blanc de Portugal (poeta, musicólogo e meteorologista).
Tinha inéditas as obras: Novas Histórias do Zé Palão e Adivinhas e Contos para Ler na Cama. E em projecto, a obra, Retrato de António Aleixo, para a qual havia reunido bastante documentação e trabalhava no livro de poesia A Cal Cúbica e as Manchas, que agora é editado.
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MINHA HOMENAGEM A LEONEL NEVES
meu grande amigo... e primo
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CAL CÚBICA
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Amigo, indefectível amigo,
amigo dos simples, das hortas, do milho
desabrochando deslumbramentos
a esvoaçar por cima de vales e serras
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já cá andam as andorinhas
que tu desenhavas em palavras
sobrevoando os lugares
de teus olhos transparentes, azuis
olhando antigas casas onde ardiam
os folguedos da tua juventude
a voz serena da simplicidade das coisas chãs
na água fresca correndo no leito antiquíssimo
do rio das tuas memórias.
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Já por cá andam as andorinhas
a desenhar as tuas palavras nos céus
a sobrevoar a cal cúbica das casas meridionais
da tua juventude
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o milho verde das frescas hortas
as serras os montes e os vales
da mesma água antiquíssima do rio
por onde andaste
com a simplicidade dos teus olhos azuis
na frescura de folguedos juvenis
desabrochando deslumbramentos
que apenas ficaram… sabes
nos versos que escreveste.
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Este poema já foi publicado no 1º volume de 5 POETAS DE LAGOS (Liliete Cardeira da Silva, Nídio Duarte, Cristiano Cerol, Pedro Magalhães e eu próprio), ed. do Grupo de Amigos De Lagos.
Acabo de ser gentilmente convidado para o jantar comemorativo do 6º Aniversário do Club Naturista do Algarve, que tem lugar no dia 4 de Julho, no restaurante "O Cangalho", em Lagos. Na impossibilidade de estar presente, quero, no entanto, prestar a minha homenagem ao Grupo, com um poema.