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segunda-feira, 7 de outubro de 2013

POEMA AO COMPUTADOR

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Oh, meu bento computador,
quanto me trazes em repouso e equilíbrio
com a destreza das tuas funções automáticas
a tua precisa formatação do espaço
e seus limites,
a correcção ortográfica das minhas falhas.
 .
Quanto sustentas a minha serenidade
quando corro os dedos pelos teus sentidos,
substituindo o quartzo já gasto da minha memória
pela eficácia dos teus atributos,
pelo tacto dos teus arranjos algébricos,
para os ecos da palavra
e do suor das cinzas dos meus versos!
 ,
Meu bento computador
quanto bendigo os teus gestos de luz e cores
e o leque das tuas opções adequadas,
nas tons que imprimes no écran dos meus olhos,
na harmonia com que reescreves o acervo
das mil loucuras que trago debaixo das veias,
ou no exercício tecnológico da sintaxe.
que estendes pelas páginas já abertas.

.
Tens o dom de inserir estilos de impressão
nos meus devaneios léxicos, prosaicos
suaves como águas que se enxugam nas areias do chão,
silêncios que arquivo no teu sistema de ficheiros
invioláveis, por meu capricho
e teu zelo sereno
na minha vontade
e meus caprichos perecíveis. 
.
És a continuação da obra
feita formosura no espaço da página
e nunca me desvias do caminho aberto
com que suponho a arquitectura irregular
dum círculo de palavras, ou dum ciclo de sons
onde inscrevo as minhas dores irreveladas
que ciosamente escondes de olhos estrangeiros,
só acessíveis a quem saiba a palavra-
-passe
da morte adiada programada
da minha vida.
. 
E agora veja como ficou o vídeo!
.
 

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

O VINHO DO PORTO

O POEMA EXPERIMENTAL
"TROVA EM LOUVOR DO REI DE PORTUGAL"
que já esteve patente em várias exposições,
deu origem a um dos meus mais recentes videopoemas
"O Vinho do Porto"



clicar youtube para écran inteiro

terça-feira, 24 de setembro de 2013

PELAS TARDES DE SETEMBRO

PELAS TARDES DE SETEMBRO
,
Pelas tardes de Setembro
quando à tarde o sol esmorece a exígua luz
e a luz se desfaz na penumbra dos meus olhos,
há um rumor no ar alucinado,
uma labareda de adultas asas de insectos adejando
o assombro que trará a bruma
às sombras da fatal melancolia.
 .
São os ecos dum naufrágio anunciado
em dissertações da ciência do tempo,
os sedimentos dos rios
em exercícios da matéria frágil das flores,
suas folhas perecíveis,
seus estigmas que vão no vento.
 -
São as frases nunca pronunciadas
dum texto oculto desvendado
no declínio da voz inquieta
perturbada da terra.
 -
Atentemos pois, nesse momento único,
nessa clarividência da luz clara
esses pedaços da sombra,
como vozes de antigas melodias
das árvores nuas, arrebatadas.
 -
São a nossa própria essência,
um murmúrio das águas derramadas sobre a água,
vestígios de um cântico de paixão
sobre a terra chã, sobre o chão
que ecoa o nossos pés.
.
inédito

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

OBRAS DE VIEIRA CALADO


Obras do Autor

         Poesia:
* Poemas em jornais e revistas, desde 1956
* Letras para música de diversos autores, desde 1957
* "37 Poemas", 1961, esgotado
* "Os Sinais da Terra", 1962, capa de Jorge Norvik, (proibido pela Censura/Pide), esg.
* "Poema para Hoje", 1977, esg.
* "Objecto Experimental", ilust. e capa de Hugo Beja, 1978, esg.
* "A Palavra em Duas", capa de Deda, 1982, esg.
* "O Frio dos Dias", 1986, esg.
* "Como um Relógio de Areia", ed. Mic , 1993
* "Transparências", Pref. do Prof. Vilhena Mesquita, ed. AJEA. 2000.
* "Lagos Ontem", 2 ª edição da C. M. de Lagos, 2005
* "Poemas Primeiros", reedição. AJEA, 2001
* "Por detrás das Palavras", capa de Adrienne Apers, Mic, 2002
* "Terrachã", ed. AJEA, 2004
* "Poemetos", volume I, 2004
* "Poemas Soltos & Dispersos", 2005, esgotado
* "Arabescos", 2008, ed. litoral
* "Itinerário", edição Edium, 2008
* "Viagem através da Luz", ed. Papiro, 2009
* "As Cores do Poema", ed. litoral, 2010
* "Por detrás das Palavras", ed. Beco dos Poetas, S. Paulo, Brasil, 2011
* "Algarve Ontem", ed. Litoral, 2011
* As Noites e os Dias, ed. Litoral, 2013
        Prosa
* "Merdock", 3ª edição, 2007, ed. AJEA
* "Estórias de Lagos & Arredores", Ed. C. M. L, 2007.
       Teatro
*"A Solidão dos Deuses", ed. litoral, Lagos, 2012
        Divulgação Científica:
* "A Terra  e as Estrelas", Ed. Jornal Notícias de Lagos, 2006
* "História Breve dos Cometas", ed. Litoral, 2010
        Ficção Extraterrestre
"A Febre do Ouro", ed. Litoral
        Antologias, colectivos e outras participações:
* Postais de Poesia: colecção Escopro, colecção Litoral e outros
* Poemas em jornais e revistas, desde 1956
* Letras para música de diversos autores, desde 1957
* "Les Relations entre le Portugal et l’Angleterre, pendant la Monarchie",
           Maîtrise, Université de Vincennes, Paris, 1977
* "Antologia Anti-Floral", ed. Barlavento, Portimão, 1980
* Artigos sobre Astronomia, em vários jornais, desde 1986
* Boletim do Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica, nº 102, 1987
* "Poemas de e sobre o Natal ", edições Mic, 1998
* "Cem Anos de Garcia Lorca, ed. Universitária, 1998
*  Cadernos "Costa d’ Ouro", vários
* "Poemas Satíricos e Outros", ed Mic , 2002
* "Poetânea", Edições Hugin., 2003
* "Escritores Portugueses do Algarve", ed. Colibri, 2006
* "5 Poetas de Lagos", Grupo Amigos de Lagos, de 2006, 2008, 2011
* "Di Versos" nº 10  – Águas Santas, 2007
* "Itinerário", ed. Edium, 2008
* "A Traição de Psiché", ed.  Águas Santas
*  Os Poetas nas Árvores, Espinho, Março 2009
*  Entre o Livro e a Liberdade, Vila do Conde, 2010
*  Poemas em Árvore do Natal, Pátio das Letras, Faro, 2010
*  "Sabores e Saberes de Ontem", ed. CEL, 2010
* "I ª Seletiva", ed. Beco dos Poetas, S. Paulo, Brasil, 2011
* "IV Antologia de Poetas Lusófonos", Leiria, 2011
* "4 Elementos, Ar", ed. Beco dos Poetas, S. Paulo, Brasil, 2012, Brasil
* "Entre o sonho e sono", ed. Chiado, 2012
* "Acordando Sonhos", Antologia Inverno, Pastelaria Studios, 2012
*  Poemas inscritos em lajes, Mata de Barão de São João, 2012
* "Poética" Vol. 2, Editorial Minerva, 2013   
*  Videopoemas (52), desde 2012
* "V Antologia de Poetas Lusófonos", Folheto & Design ed., 2013, Leiria
         Exposições de Poesia Experimental e/ou Ilustrada
* Armazém Regimental, Lagos. * Cooperativa 30 Junho. * Museu de Aljezur.
* Artebúrguer, Praia da Luz (2). * Pátio das Letras, Faro.
* Edifício da Antiga Câmara Municipal de Lagos. * Bar Fim da Linha, Lagos.
*  Várias colectivas.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

AS NOITES E OS DIAS


"AS NOITES E OS DIAS" ACABA DE SER PUBLICADO.
Eis 2 poemas do livro.

20 – Os átomos do corpo


Os átomos do corpo encerram um mistério
da física.

Desluzidas criaturas de energia e vácuo
como vos cresceu essa paixão
de amores e adornos
o verde das árvores
a dor pela degenerescência dos frutos?

Donde vem esse propósito de compor desígnios
inteligentes de palavras?

A tua matemática de conteúdos geométricos
de tempo, espaço, drama
provável numa gota de água que cai
sobre o pedestal altivo das nossas cabeças?



8 – Apetece-me escrever


Apetece-me escrever uma coisa qualquer
que não sirva para nada
uma coisa qualquer sem sentido nenhum

para que depois outros digam
que ando a escrever coisas sem nenhum sentido

Prefiro escrever coisas ditas sem sentido nenhum
do que procurar dar um sentido
a tudo quanto se escreve
e que não tem sentido nenhum.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

2 de MAIO

Foi um dia igual aos outros dias.
 .
Acordei à mesma hora de ontem e de amanhã
vesti-me como os outros dias me vestia
o mesmo emblema me orlou a lapela
o mesmo ideal louco me embutiu a razão
e até os meus sapatos
deixaram as mesmas marcas invisíveis
sobre o caminho de pedra.
-
escrito a 2 de Maio de 1961

quinta-feira, 18 de abril de 2013

SONHO


Sem saber como nem donde eu vinha,
enfiei os pés na água
escorrendo daqueles olhos escuros que fitavam a eternidade.
 .
Estava o caminho recoberto de musgo,
líquens sobre a pedra, pedaços de ervas e árvores
decaindo aos bolores do tempo.
 .
Ao lado, uma bola prateada, redonda,
rodava na roleta e caía num poço
que se estendia às fragas da montanha
a avultar na minha frente,
derruindo.
 .
Sinto um baque no barro do coração.
Amanhã virá a manhã a sair das trevas.
 .
Sonho, logo ainda resisto.
E é pelo sonho que insisto.
 .
Mas não há maneira de sair dali.
 .
O meu cérebro trabalha tão depressa como a seiva,
como o coração da terra reclamando os seus mártires.
 .
Tanto mais que eu e ela nos aproximávamos tanto,
nos colávamos tanto na mesma visão de fogo e cinzas,
que eu comecei a perceber que não havia
nada como aquele calor que me chegava ao sangue
e me transformava num ser repleto,
saturado da ternura daquele momento,
daquela suprema verdade.
 .
Bebi da água que aos poucos
ia dissolvendo o barro do meu coração.
 .
Deixei correr as estradas,
as estrelas,
os rios do mesmo deslumbramento.
 .
Era dia,
em todas as madrugadas da minha paixão.