PELAS TARDES DE SETEMBRO
,
Pelas tardes de Setembro
quando à tarde o sol esmorece a exígua luz
e a luz se desfaz na penumbra dos meus olhos,
há um rumor no ar alucinado,
uma labareda de adultas asas de insectos adejando
o assombro que trará a bruma
às sombras da fatal melancolia.
.
São os ecos dum naufrágio anunciado
em dissertações da ciência do tempo,
os sedimentos dos rios
em exercícios da matéria frágil das flores,
suas folhas perecíveis,
seus estigmas que vão no vento.
-
São as frases nunca pronunciadas
dum texto oculto desvendado
no declínio da voz inquieta
perturbada da terra.
-
Atentemos pois, nesse momento único,
nessa clarividência da luz clara
esses pedaços da sombra,
como vozes de antigas melodias
das árvores nuas, arrebatadas.
-
São a nossa própria essência,
um murmúrio das águas derramadas sobre a água,
vestígios de um cântico de paixão
sobre a terra chã, sobre o chão
que ecoa o nossos pés.
.
inédito
,
terça-feira, 24 de setembro de 2013
PELAS TARDES DE SETEMBRO
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tardes de Setembro
sábado, 7 de setembro de 2013
VIDEOPOEMA - OS LIMITES DO TEMPO
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quinta-feira, 5 de setembro de 2013
OBRAS DE VIEIRA CALADO
Obras do Autor
Poesia:
* Poemas em jornais e revistas, desde
1956
* Letras para música de diversos
autores, desde 1957
* "37 Poemas", 1961, esgotado
* "Os Sinais da Terra", 1962, capa de Jorge Norvik, (proibido pela Censura/Pide), esg.
* "Poema para Hoje", 1977, esg.
* "Objecto Experimental", ilust. e
capa de Hugo Beja, 1978, esg.
* "A Palavra em Duas", capa de Deda, 1982, esg.
* "O Frio dos Dias", 1986, esg.
* "Como um Relógio de Areia", ed. Mic , 1993
* "Transparências", Pref. do Prof. Vilhena Mesquita, ed. AJEA.
2000.
* "Lagos Ontem", 2 ª edição da C. M. de Lagos, 2005
* "Poemas Primeiros", reedição. AJEA, 2001
* "Por detrás das Palavras", capa de Adrienne Apers, Mic, 2002
* "Terrachã", ed. AJEA, 2004
* "Poemetos", volume I,
2004
* "Poemas Soltos & Dispersos", 2005, esgotado
* "Arabescos", 2008, ed. litoral
* "Itinerário", edição Edium, 2008
* "Viagem através da Luz",
ed. Papiro, 2009
* "As Cores do Poema", ed. litoral, 2010
* "Por detrás das Palavras",
ed. Beco dos Poetas, S. Paulo, Brasil, 2011
* "Algarve Ontem", ed. Litoral, 2011
* As Noites e os Dias, ed. Litoral, 2013
* As Noites e os Dias, ed. Litoral, 2013
Prosa
* "Merdock", 3ª edição, 2007, ed. AJEA
* "Estórias de Lagos & Arredores", Ed. C. M. L, 2007.
Teatro
*"A Solidão dos Deuses", ed. litoral, Lagos, 2012
Divulgação Científica:
* "A Terra e as Estrelas",
Ed. Jornal Notícias de Lagos, 2006
* "História Breve dos Cometas",
ed. Litoral, 2010
Ficção Extraterrestre
"A Febre do Ouro", ed. Litoral
Antologias, colectivos e outras participações:
* Postais de Poesia: colecção Escopro, colecção Litoral e outros
* Poemas em jornais e revistas, desde
1956
* Letras para música de diversos
autores, desde 1957
* "Les Relations entre le
Portugal et l’Angleterre, pendant la Monarchie",
Maîtrise, Université de
Vincennes, Paris, 1977
* "Antologia Anti-Floral", ed. Barlavento, Portimão, 1980
* Artigos sobre Astronomia, em vários jornais, desde 1986
* Artigos sobre Astronomia, em vários jornais, desde 1986
* Boletim do Instituto Nacional de
Meteorologia e Geofísica, nº 102, 1987
* "Poemas de e sobre o Natal ", edições Mic, 1998
* "Cem Anos de Garcia Lorca, ed. Universitária, 1998
*
Cadernos "Costa d’ Ouro",
vários
* "Poemas Satíricos e Outros",
ed Mic , 2002
* "Poetânea", Edições Hugin., 2003
* "Escritores Portugueses do Algarve", ed. Colibri, 2006
* "5 Poetas de Lagos", Grupo Amigos de Lagos, de 2006, 2008,
2011
* "Di Versos" nº 10 – Águas Santas, 2007
* "Itinerário", ed. Edium, 2008
* "A Traição de Psiché", ed. Águas Santas
*
Os Poetas nas Árvores, Espinho, Março 2009
*
Entre o Livro e a Liberdade, Vila do Conde, 2010
*
Poemas em Árvore do Natal, Pátio das Letras, Faro, 2010
* "Sabores e Saberes de Ontem",
ed. CEL, 2010
* "I ª Seletiva", ed. Beco dos Poetas, S. Paulo, Brasil, 2011
* "IV Antologia de Poetas Lusófonos", Leiria, 2011
* "4 Elementos, Ar", ed. Beco dos
Poetas, S. Paulo, Brasil, 2012, Brasil
* "Entre
o sonho e sono", ed. Chiado, 2012
* "Acordando Sonhos", Antologia Inverno, Pastelaria Studios, 2012
*
Poemas inscritos em lajes, Mata de Barão de São João, 2012
* "Poética" Vol. 2, Editorial Minerva, 2013
* Videopoemas (52), desde 2012
* Videopoemas (52), desde 2012
* "V Antologia de Poetas Lusófonos", Folheto & Design ed.,
2013, Leiria
Exposições de Poesia Experimental e/ou
Ilustrada
* Armazém Regimental, Lagos. * Cooperativa 30 Junho. * Museu de Aljezur.
* Artebúrguer, Praia da Luz (2). * Pátio das Letras, Faro.
* Edifício da Antiga Câmara Municipal de
Lagos. * Bar Fim da Linha, Lagos.
*
Várias colectivas.
quarta-feira, 28 de agosto de 2013
AS NOITES E OS DIAS
"AS NOITES E OS DIAS" ACABA DE SER PUBLICADO.
Eis 2 poemas do livro.
20
– Os átomos do corpo
Os
átomos do corpo encerram um mistério
da
física.
Desluzidas
criaturas de energia e vácuo
como
vos cresceu essa paixão
de
amores e adornos
o
verde das árvores
a
dor pela degenerescência dos frutos?
Donde
vem esse propósito de compor desígnios
inteligentes
de palavras?
A
tua matemática de conteúdos geométricos
de
tempo, espaço, drama
provável
numa gota de água que cai
sobre
o pedestal altivo das nossas cabeças?
8
– Apetece-me escrever
Apetece-me
escrever uma coisa qualquer
que
não sirva para nada
uma
coisa qualquer sem sentido nenhum
para
que depois outros digam
que
ando a escrever coisas sem nenhum sentido
Prefiro
escrever coisas ditas sem sentido nenhum
do
que procurar dar um sentido
a
tudo quanto se escreve
e
que não tem sentido nenhum.
quarta-feira, 21 de agosto de 2013
HOMENAGEM A GARCIA LORCA
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memórias,
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quinta-feira, 2 de maio de 2013
2 de MAIO
Foi um dia igual aos outros dias.
.
Acordei à mesma hora de ontem e de amanhã
vesti-me como os outros dias me vestia
o mesmo emblema me orlou a lapela
o mesmo ideal louco me embutiu a razão
e até os meus sapatos
deixaram as mesmas marcas invisíveis
sobre o caminho de pedra.
-
escrito a 2 de Maio de 1961
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quinta-feira, 18 de abril de 2013
SONHO
Sem saber como nem donde eu vinha,
enfiei os pés na água
escorrendo daqueles olhos escuros que fitavam a eternidade.
.
Estava o caminho recoberto de musgo,
líquens sobre a pedra, pedaços de ervas e árvores
decaindo aos bolores do tempo.
.
Ao lado, uma bola prateada, redonda,
rodava na roleta e caía num poço
que se estendia às fragas da montanha
a avultar na minha frente,
derruindo.
.
Sinto um baque no barro do coração.
Amanhã virá a manhã a sair das trevas.
.
Sonho, logo ainda resisto.
E é pelo sonho que insisto.
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Mas não há maneira de sair dali.
.
O meu cérebro trabalha tão depressa como a seiva,
como o coração da terra reclamando os seus mártires.
.
Tanto mais que eu e ela nos aproximávamos tanto,
nos colávamos tanto na mesma visão de fogo e cinzas,
que eu comecei a perceber que não havia
nada como aquele calor que me chegava ao sangue
e me transformava num ser repleto,
saturado da ternura daquele momento,
daquela suprema verdade.
.
Bebi da água que aos poucos
ia dissolvendo o barro do meu coração.
.
Deixei correr as estradas,
as estrelas,
os rios do mesmo deslumbramento.
.
Era dia,
em todas as madrugadas da minha paixão.
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sexta-feira, 5 de abril de 2013
PERDEDOR
Tenho sido sempre um perdedor das coisas simples
do espaço
aritmético do coração aberto ao mar.
O meu
sangue é um rio deslumbrado das escarpas
que me
apertam os ossos ébrios das montanhas
dos altos
cumes onde habita a águia
donde se
vê de mais perto as estrelas trémulas da alegria.
Sou um
perdedor das coisas fáceis, das águas breves
que se
amontoam em crepúsculos do passado
e na
sucessão vertiginosa de restituídas seivas
inscritos
na lápide dos pensamentos nítidos.
Transmito-me
pelos limites da maré e dos céus
que se
aprisionam da flauta dos meus olhos
no
violoncelo na harpa encandeada
dos dias
por onde passo e me consumo.
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sábado, 23 de março de 2013
O SONHO DOS DEUSES
Está publicado o 2º Volume de "POÉTICA",
da Editorial Minerva.
Nesta Antologia colaboram 75 autores da CPLP,
num volume de 448 páginas.
Nesta Antologia colaboram 75 autores da CPLP,
num volume de 448 páginas.
Eis um dos poemas da minha participação:
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O SONHO DOS DEUSES
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“Os homens são o
sonho dos deuses”
Da mitologia hindu
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Assentemos em que a vida é
um acto que transporta
um minúsculo sobressalto dos
deuses, o seu sonho:
o homem, com quem partilhar
uma taça cheia
de barro para derramar nos
rios que correm.
.
Comentaremos o nosso próprio
sonho
numa grinalda que nos trará
um tremor de lábios
um ombro também a partilhar
a mesma solidão.
.
Porque o mistério dum olhar
tranquilo, ali perto,
é a inocência das raízes que
buscam o lago extinto
.
e se esgota na génese das
paixões,
no impassível decurso dos
sóis sobre o desespero,
irmão dos deuses, no mesmo
sobressalto
na mesma solidão dos deuses,
o seu sonho,
como o nosso, de plenitude.
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