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terça-feira, 22 de novembro de 2011

POEMA AINDA

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.....Poema ainda
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........Ave e seta como a luz
........rasgando a bruma
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........Lume sob a cinza
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........Liberta asa
........que o arco ainda tenso
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........abrasa
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..............em "A Palavra em Duas", 1982, esgotado

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

MAIS NADA

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Antes de morrer não vou dizer nada
porque nada iria servir para nada.
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O que as outras pessoas querem que eu diga
já o disse.
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O que os amigos querem que eu faça
já o fiz.
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Só não lhes disse
que ao morrer não iria dizer ou fazer mais nada
porque não há nada mais ridículo
que dizer ou fazer o que quer que seja
ao morrer.
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inédito

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

DIÓGENES



Quadro de Jean-Léon Gerome
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- O que queres que eu te dei?
Alexandre, o Grande 
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Só quero que não me tires
o que não me podes dar.
Tira-te da frente que me tiras o Sol.
Diógenes
 .
Nada tinhas,  nada querias,
a não ser a claridade dos céus azuis,
a sabedoria do estro primaveril das estrelas meridionais,
porque entendias na dispersão da luz, 
no rearranjo do recorte das imagens
a descrição duma planície de transparências.

Por isso é que procuravas em pleno dia,
à luz duma lanterna a luz dum homem,
a silhueta dos seus predicados, a excelência
fulgindo contra o escuro do próprio dia.

A tua ciência era a ciência abstracta
de repensar a pura existência,
o seu sentido lato,
como o pólen dispersando a vida
duma planta.

Pouco sabias do que outros sabiam
e isso não te importava
porque só querias o sol, o ar limpo.

Nada querias a não ser o que dava o dia,
o sol de Corinto e a liberdade de pensar a utopia
e o que nenhum Alexandre pode dar
a quem a tirou: a vida.
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em "Dicionário de Citações", a publicar

domingo, 6 de novembro de 2011

O EVENTO

O Dr. Júlio Barroso, Presidente da Câmara Municipal de Lagos/
Wilson Cruz, de Porto Seguro, Brasil/ e eu


Ver reportagem  aqui 

domingo, 30 de outubro de 2011

NORA - ALGARVE ONTEM

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É já no próximo sábado, dia 5, pelas 17 horas, que o meu mais recente livro "Algarve Ontem" será apresentado na Livraria Pátio das Letras, em Faro. A apresentação estará a cargo da Professora Maria Antónia Vargas. Sobre os aspectos histórico/etnográficos das fotografias (de antes da década de 60), que acompanham os poemas, dissertará o Dr. Brazão Gonçalves, que colaborou no livro, escrevendo essas notas sobre antigas actividades algarvias, agora extintas ou em vias de.
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Era na cadência demorada duma roda de alcatruzes
engrenagem mourisca engendrada noutras mentes –
que descobríamos o sabor das tardes cálidas de Julho
a paz lenta e a bucólica placidez das hortas.
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Os nossos olhos recobriam-se do verde azul dos milhos
o aroma do barro inundado pela água que brotava
do devaneio dum fauno, ou a frescura das laranjeiras
numa grinalda em flor para uma noiva anunciada.
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Era nesses dias de intensa e mansa transparência
que nos iludíamos de eternidade sobre a terra,
no eterno retorno da água em seu ciclo de frescura
tingindo o nosso olhar da cor das nêsperas e morangos.
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Era nesses dias de menino que nos detínhamos
no esplendor dos dias longos de idílios e desejos,
voando ao sabor das horas desprendidas, da inocência,
herdando o engenho da roda e da água gerando a luz.
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VEJA TAMBÉM ESTE E-BOOK (feito  no Brasil), com poemas meus aqui

terça-feira, 25 de outubro de 2011

A FLOR SOBRE O PANO BRANCO

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A flor sobre o plano branco,
a palavra no meio doutras palavras brancas
de cores e chamas
 .
ou o fruto maduro entre a folhagem
verde
novo de sabores ignorados
 .
e aquelas mãos
o teu corpo de mulher entre as mulheres
o pano brando onde aprendo
a cor melhor das flores
e sabores.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

CELEBRAR A CASA

 .
Nunca é demais celebrar a casa,

o lugar onde mitigamos as nossas memórias,
a nossa simplicidade nas esperas.
 .
É o lugar para soletrar segredos à nossa própria impiedade,
num desespero secreto, alheio aos rumores que vêm
do mais fundo das trevas
onde mergulhamos a cabeça vigilante.
 .
Partimos dela para as lonjuras, a cisma e a ficção,
a utopia de estóicos logros.
 .
E recomeçamos pela madrugada
a contar os dias lestos que definham
no ar parado dos mistérios duradoiros,
na roupagem do silêncio e do enlevo
pelo infinito dum beijo prometido
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em "Causas de Habituação", a publicar

domingo, 16 de outubro de 2011

SARAU DE POESIA EM BARÃO DE S. JOÃO


 .
Uma noite de Poesia com a participação especial de elementos do blog lagos
e de participantes na colecção "5 Poetas de Lagos".
Uma produção de Chico Lumière.

Pode ver aqui o poema que eu li


terça-feira, 11 de outubro de 2011

AS CORES DIZEM O TEMPO

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As cores dizem o tempo,
o granizo que embranquece as arestas do granito,
o hortelã respirando pequenas flores de sabor a sul.
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Ó a antiga sapiência das árvores
e dos caminhos
e da plenitude nas planícies de verdura!
-
Como não hei-de segredar o teu nome
ó bonina de incenso, em noites de paixão,
nos pântanos que parecem eternizar os teus segredos?
-
És o pólen e a cegueira
de espirais hipnóticas de paz e medo,
em águas nascentes de musgo e de frescura.
-
És a vertigem duns olhos feridos pelo orvalho
das manhãs, ao cair da tarde
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e eu te invoco na busca dos limites
que fazem o fascínio, a vigília perturbada
do teu violoncelo  tocando ao vento.
...
-----em Poemas Soltos & Dispersos, 2º volume
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       Veja também a nova postagem sobre "A Febre do Ouro"

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

POEMA A PIERRE CURIE


Poema a Pierre Curie   
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Viveste entre a pecheblenda e os ácidos
entre os deleites de Maria e a ânsia
o frenesim activo dos metais.
 .
Buscavas os segredos da vida
feita mistério no coração duma pedra
muda quieta indecifrável
que vive de pequenos espasmos de energia
e brilha na escuridão dos séculos.
 .
O teu raciocínio era bom
trazia a justificação do ovo
o segredo mais íntimo das estrelas.
 .
Mas uma tarde partiste.
 .
Como toda a gente.
 .
Mas tu não partiste como toda a gente.
Morreste a pensar, a remoer o pensamento
a revolver a alma duma pedra.
 .
Por isso não morreste para sempre.
 .
Embora não contasses
que o distraído mecanismo duma roda
pudesse apagar nas estrelas,
o voo dum pássaro ao coração dum ovo.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

LAGAR DE AZEITE

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                  POEMA EM LOUVOR DO AZEITE

Dizem do modesto ramo de oliveira a paz
e dizem-nos do seu ditoso fruto a luz
que iluminou as noites de reflexão dos gregos.

Só por isto eu teria de louvar o puro azeite,
este lugar eleito, este lagar de azeite
onde a prensa arrebatava a flor dos fluidos
que dão perfil e força às veias da memória.

Também nos dizem do primado do seu reino
de enfrentar o frio, a decrepitude, os rudes sóis
e nos proteger do estertor fatal da morte
graças à excelência dos seus ómega colestróis.

Mas mais que tudo pelo paladar, o gosto antigo
no bacalhau e noutros pratos celebrados,
na sardinha em lata como era nesse tempo,
na caldeirada, nas cavalas, nos charros alimados.
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No livro, a cada poema e fotografia corresponde uma nota histórico/etnográfica, 
de Brazão Gonçalves.
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6 - LAGAR DE AZEITE  - Os antigos lagares eram movidos por tracção animal. 
Tal como a nora, eram também engenhos muito bem engenhados. 
Pesados troncos de cone em pedra eram accionados pela força de potentes bois. 
A azeitona massacrada até à medula, não dos ossos que os não tem, 
mas do caroço, lá ia gemendo e chorando as suas apreciadas lágrimas 
que haveriam de dar o rico e fino azeite para o prato 
e o menos fino e mais pobre para a candeia. 
A água ruça, ralé daquela viscosa sociedade, 
era desprezada como escória inútil e ia correr até aos ribeiros nos tempos puros 
em que nem chegavam a constituir poluição. Em tempos recuados 
e para aqueles cuja produção olivícola 
não bastava para utilizar os serviços do lagar da aldeia, 
o azeite chegava a ser produzido artesanalmente 
na própria casa do pequeno produtor, em pequenas lagaretas. 
Tal como acontece com as amendoeiras, e embora se trate de azeite e não de vinho,
também se pode dizer que é chão que já deu uvas.

em "Algarve Ontem", o meu último livro, recentemente publicado 
* No livro, as fotografias são a preto e branco.

domingo, 25 de setembro de 2011

Flores do Outono

 .
Agora vou reclinando o corpo
entre a terra e as estrelas.
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O espaço é breve
para a brisa do mar
que ainda soa.
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E no entanto,
adormeço
no meu sonho,
sereno de harmonias
.
incendiando o fino pó
da terra
com estas flores violentas,
...................exíguas, 
................do outono.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

AS VIBRAÇÕES DO AR

 ,
As vibrações do ar pronunciam a palavra  
num grito claro
de outras vozes, as nossas
-
que ressoam do interior de outros e de ontem
no seu próprio reverberar
.
como num rumor o silêncio audível
por cima do tempo breve que o prolonga
em muros persistentes
.
Mas dele se ouve apenas um eco
do interior processar das imagens
-
o nosso próprio reverberar de ecos
- processador de símbolos
.
inédito

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

POEMA A UM MENIR


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A pedra ali está, sereníssima,
há anos hibernada sem desespero,
à espera duns olhos comovidos
com quem reinventar os mistérios
da respiração tranquila dos matos.
 .Nota histórica:
Estão contabilizados mais de uma centena de menires, no Algarve. A maior parte encontra-se no Barlavento, na região de Sagres, por terra, certamente deitados ao chão pela mão do homem. Muitos deles devem ter sido eregidos, no final do Neolítico Europeu, entre 3000 e 4000 antes de Cristo e são símbolos pagãos. O seu significado continua envolta nalgum mistério, mas crê-se que poderiam assinalar locais sagrados virados para o culto da fecundidade, já que parecem ter sido concebidos como formas fálicas.
 .

 em ALGARVE ONTEM - o meu mais recente livro 

*Outros menires    aqui 
* Grato também pela preciosa colaboração de F. Castelo, que também remete para o seguinte link, sobre o assunto: aqui 

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

O TEMPO E O VENTO

 -
Eis o tempo.
Olha-o.
Tenta pôr-lhe a mão em cima.
.
Não!...
Nunca serás herói que nunca houve!
 .
O tempo é como o vento.
As nuvens
sou eu, és tu e são os outros;
não há vento que as não leve.
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Já alguma vez
viste
a mesma nuvem duas vezes?
,
Já alguma vez
sentiste
o mesmo vento duas vezes?
 .
Não!
O vento é como o tempo.
As nuvens,
eu, tu e os outros...
não voltam.
 ,
O vento improvisa
o tempo também improvisa.
Um e outro
como as nuvens que levam
passam e já não voltam.
 .
Toda a coisa tem princípio.
 .
O vento
ao sol e à terra agradecido
é o menino perdido
de seu pai
o tempo.
 .
O tempo, que é o tempo?
Monstro de mil anos
chuva de erosão do universo;
o tempo
sopro frio ou quente
que tudo arrasta na corrente,
é o correr do berço à sepultura
é o olhar a espiga já madura.
 -
Todo o rio tem mar
toda a cidade tem cemitério
toda a verdade crua tem adultério.
 -
Eu, tu e os outros
somos a cidade flutuante
o rio que na descida ao mar vai ter
caminhando a passo para jusante.
-
O tempo é como o vento.
O vento,
átomos em movimento!
 ,

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

A capa de A Febre do Ouro

A capa de A Febre do Ouro, o meu último livro, elaborada com todo o esmero por Zé Francisco Luz, foi concebida através duma imagem colhida no Cabo de S. Vicente, no sudoeste algravio.
Ao olhar o imenso mar que se avista do mítico cabo, diz-se, o Infante D. Henrique terá cogitado na maneira de vencê-lo, ultrapassando as crenças terríficas e desencorajantes, que vinham desde a Idade Média. O persistente vento norte levaria os primeiros navegadores pela costa de África até ao Cabo das Tormentas, levando o Gama à Índia, ou o Cabral a Terras de Santa Cruz, o Brasil.
O local é desolado, muito agreste, apenas chão de rara e rasteira vegetação, bem condicente, em termos de espaço físico e subjectivo, com o Monte Negro do planeta da estrela ɛ de Eridanus, da minha estória.
E enquanto o Sol se aproximava da linha do horizonte do mar (muito revolto, como habitualmente, mas enevoado), o Zé ensaiava várias fotos tendo por enquadramento a Rute e o grande oceano.
Até que se deu o inesperado: dezenas e dezenas de automóveis chegavam ao local – o Promontório Sacro, segundo os Romanos – um dos três únicos locais do seu vasto Império, donde se via nascer... e pôr o Sol, sobre o mar.
E então não é que os visitantes - gente da Alemanha, França, Itália, Inglaterra, Espanha... - se puseram todos aos gritos e a bater palmas, quando o Sol começou a sumir-se no mar!
À semelhança do que se passou na ɛ de Eridanus...
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ler extractos do livro extraterrestres ou aqui

domingo, 14 de agosto de 2011

NOVO LIVRO DE POESIA

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Saiu hoje o meu 22º livro de poesia,
"Algarve Ontem"
Foi apresentado
durante a 3ª e última Homenagem à Figueira,
na Praia da Luz.
Na sequência, quiseram homenagear 
o meu cinquentenário de Vida Literária (1961/2011) 
e colocaram uma placa com o meu nome, 
na já célebre Figueira da Luz. 
A todos, o meu muito obrigado.
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