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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

O QUE ME RESTA - um prisma óptico desfeito


O que resta
é o que me resta.
 .
Mas vou ainda pegar nestes bocados
de quartzo estilhaçados
aos bocados
e reconstruir o prisma
 .
para ter de novo 
todas as luzes da luz.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

ARRUMAÇÃO


Colocar tudo nos seus devidos lugares ‒
as certezas e as interrogações
 .
Este fogo que arde devagar
colocá-lo no altar das coisas perdidas
-
ao abrigo do medo de deixar alguns lugares
vazios

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

PAZ

… para ver se alcanço
que minha alma durma, tenha paz, descanso (…)
Guerra Junqueiro (1850-1923)
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Já viste um sonho a afastar-se para longe
do horizonte de teus olhos,
a alma da tua vida a despedaçar os últimos restos da luz?
 .
Quanto sentiste pela tempestade dum ovo
que se desfaz antes do primeiro raio de sol
ou uma velha árvore caída de borco sobre a terra
a um obstinado sopro do vento!?
 .
Onde procuras a paz para a tua alma
senão ouvindo ainda a música
da voz longínqua que embalou os teus verdes anos
no manso mar dum búzio colado ao teu ouvido?
 .
O teu descanso vem longe, quanto distante
é o minuto que esperas para vir outro minuto.
 .
Dorme ainda sobre o silêncio da terra e a voz do mar,
num cântico martirizado pelas esperas ‒
mas que não morre,
enquanto a vida te der o eterno,
na vida.
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Inédito. Vai para "Dicionário de Citações" (em preparação)

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

A IDEIA DE NATAL e SAUDAÇÕES DE ANO NOVO de 2013


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Desejo 
a todos os meus fiéis leitores,
um Novo Ano de  2013,
pleno de alegrias e prosperidade!
 .
NATAL de 2012 
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A ideia de Natal é uma ideia em construção
uma casa comum de barro generoso
feito do sangue e da probabilidade duma cidade
cheia de luz, emergindo sobre um obscuro impulso
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num promontório temível que despedaça as águas
impelidas por vento que vem do chão.
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Evocar o Natal é uma ideia de harmonia
entre os naturais irmãos da terra, o decurso
duma semente que floresce
ao calor dum gesto sempre inacabado.
    .
Façamo-lo hoje, antes do cair da tarde
que se levanta em sombras sobre o dia morto
para que a manhã se abra aos pássaros
voando sobre as nossas cabeças em liberdade.

 .

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

INAUGURAÇÃO DO PASSEIO DOS POETAS


Foi inaugurado, no dia 16 de Dezembro, o “Passeio dos Poetas”, na Mata de Barão de São João. Os poetas leram os seus poemas, que ficam gravados em lajes que já aí se encontravam. Também plantaram uma alfarrobeira, ao lado de cada pedra.
Na que me diz respeito, pode ler-se a estrofe final do Poema À Alfarrobeira – uma árvore típica desta região de clima mediterrânico.
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o poema todo e outras fotografias aqui

Eis algumas fotografias do evento.

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A minha alfarrobeira aqui plantada
transporta-me a um passado urgente
de cenas inacabadas,
idas em cinzas, em redemoinhos de ar,
ao outro lado dos vestígios das aras primitivas
- a seiva rústica, primitiva, do meu sangue.
(excerto)
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o poema todo e outras fotografias aqui

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* Gravaram as lajes, Chico Roxo e Deodato Santos, a quem muito se agradece.
* Fotografias de Filomena Carmo e Antonieta Pestana
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