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sexta-feira, 27 de julho de 2012
COMEMORAÇÃO
terça-feira, 10 de julho de 2012
EBOOK DE POESIA
sábado, 16 de junho de 2012
SEM TÍTULO 3
outra maneira de dizer o silêncio
é fechar a porta ao sonho
.
inédito
vai para "POEMETOS", 3º Volume
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quinta-feira, 7 de junho de 2012
O INSTIGADOR
O poeta só escreve o que ninguém sabe
só espera o que nunca pode dar-se
o milagre que não virá a repetir-se
o que nunca tampouco tem sentido
o poeta conhece as cores pelo cheiro
as formas pelo tempo
o grito pelo tacto
o poeta escapa entre os dedos
é um peixe paleocénico
o poeta chora em língua estrangeira
o poeta só não acredita no que crê
é um sábio geómetra doutras dimensões
de mundos paralelos que são planos
oblíquos, como espinhos no interior da
casa
só sabe da eterna ressurreição da palavra
na transmutação lunar dos dias
feito eco de fragrâncias mágicas
só crê na fraterna limpidez das seivas
na concreta viuvez dum líquen
o poeta é um bicho instigador
demolidor
quando sai à rua alimenta-se do ar
come pedras e pó
corre a cidade com os lábios cerrados
atrasa o abismo dos horários
e só embarca em navios com árvores por
dentro
e pássaros nos remos
direito ao grande mar da obscuridade
e da ciência abstracta dum beijo
O poeta não tem medo da chuva
nem de tremores de terra
mesmo com o ágil vento sobre a cabeça
o poeta sai descalço
avança sem medo por entre as pedras
porque nas pedras reconhece os cristais
e a lama
o poeta respira pelos poros
dos ouvidos
e é com os ouvidos que compõe
a música matinal perpétua
que traz nos olhos.
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sexta-feira, 1 de junho de 2012
A CIRCULAR DO PÓ
.
O tempo mastiga-nos os ossos
e depois a respiração.
-
Atira-nos à cara o medo dos poços
e desenvolve a equação
da ideia circular
do pó.
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sábado, 26 de maio de 2012
DEIXEM-ME DORMIR
.
Deixem-me dormir
deixem-me
a paz do sonho
.
o
deslumbramento
da
luz que sopra ainda
nos
meus olhos a criança
do
brinquedo
em
minhas mãos
.
o
alento de ver sorrir a madrugada
que
não volta
à
paz do sono da criança
que ainda sou.
que ainda sou.
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sexta-feira, 18 de maio de 2012
A Rainha das Abelhas
.
Salvé rainha das abelhas
excelente fêmea por excelência
de que lei
de que estruturas metálicas
de cera
de que longa brevíssima
caminhada para o sexo
para a vida
para o tempo de ir passando
sobre as flores
sobre a vida
sobre o tempo.
.
Máquina de fazer abelhas à
máquina.
.
Mãe mestra oblonga e prenha.
.
Nem ser
nem crer.
.
Máquina apenas.
.
Máquina.
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sexta-feira, 11 de maio de 2012
O DESPONTAR DO ENTENDIMENTO
Julguei que sonhava ao ouvir
aquela melodia impensável
do vento.
.
Mas eu estava desperto em todas as janelas do meu corpo
fora da lassitude de ignorar o tempo obtuso
dos dias.
.
O vento era uma sinfonia da minha solidão
o meu desvario instinto de procurar
o oculto no que está nos ares que piso
no ar que respiro com a minha pele.
.
E ele reconstruía-se num elo de ardências
semeando os graves a insinuar a inflexão
dos agudos para a vertigem,
ou as pausas breves que me despertavam as memórias
em puro alimento de paixão.
.
O vento retocava os beirais das casas com violinos
que ressoavam pelas pedras
numa amálgama de cores exóticas de frémito
e inocência
.
grande
como a espera pela primeira luz
a bater na vidraça do meu quarto o
despontar do entendimento
no deslizar inumerável dos dias.
.
inédito
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sexta-feira, 4 de maio de 2012
O FRÁGIL DIA DE HOJE
-
Tal como os passos dados na praia
o dia de hoje é frágil, apenas evocativo,
o chão onde cresce uma flor ambígua.
-
Tem o aroma bivalve, mediterrânico
de quotidianas algas sucumbidas nas areias,
traz notícias de longínquas luas derretidas
em pequenas conchas que habitaram sonhos.
-
É um espaço de presenças nuas que se dilui
na linha que separa as cinzas e o fogo,
.
mas é a margem onde escrevo as vozes suspensas
da minha veneração, da minha pura alegria,
.
do meu eterno desassossego na descoberta
.. pelo hálito concreto, fraterno, dos búzios.
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O FRÁGIL DIA DE HOJE
terça-feira, 24 de abril de 2012
ABRIL DO NOSSO DESCONTENTAMENTO
Por todas as razões o
país afunda-se
pela míngua
pela sorte dos sem
sorte
pela luz que se afoga
ao fundo do tempo
pelo frio
pela velocidade com
que os sedimentos
apenas se diluem na mágoa
pelas histórias
repetida
da história
pelos números
pelas letras
por um anti-ciclone
a arredar-nos dos
restos do mundo
e principalmente por
um ciclone numa seara verde
varrida pelo amarelo
sábado, 21 de abril de 2012
COM O TEMPO
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Com o tempo
um delírio impoluto cresce em
nossos olhos.
.
Aprendemos a distinguir
um sorriso, o riso austero, o
choro da criança
.
o sal que dá rigor às nossas vidas
ou rói o vigor dos ossos
que nos trazem ainda vertical
.
.
como sãos os exercícios
primaveris de palavras
nunca ditas
.
como que amarelecemos o tempo.
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sábado, 14 de abril de 2012
ANTOLOGIA INVERNO
Está publicada a Antologia de Inverno "Acordando Sonhos",
ed. Pastelaria Studios.
ed. Pastelaria Studios.
segunda-feira, 9 de abril de 2012
FONTE DE SABERES
Fonte de saberes é esta rua.
.
A pedra nua.
,
O umbral da porta velha
de ruídos e (de)lírios.
.
O lancil direito à luz
onde as sombras se afogam
numa sombra
.
a pronunciar um adeus
aos lírios e aos ruídos.
inédito
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segunda-feira, 2 de abril de 2012
NEM SEMPRE É POSSÍVEL
.
Nem sempre nos é possível encontrar uma romã
quando se procura uma sombra junto à fonte,
um sentido para a nossa sede urgente, uma luz dízima
para um esquecimento à beira da memória.
.
Diremos a evidência dos lugares que nos olham
com a indiferente irreverência de claustros
imunes às feições do tempo, seus inquilinos frágeis
– por isso mesmo merecedores dum longo enlace –
ou a uma gota de água para a rede das raízes
que esperam o amante adormecido.
.
A vida nega-nos a veleidade dum equilíbrio assente
na leveza verdadeira de
horizontes claros
.
e assim nos alimentamos da utopia da visão desnuda
de singulares cometimentos, num quadro improvável
à beira duma fonte onde despontam as romãs
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sábado, 24 de março de 2012
ESTE DIA
.
Este dia está infinitamente morto,
sobre ele pairam véus de bruma
diluídos num ludíbrio de sombras,
embora transparente de memórias
que acendem outras memórias.
.
-
Este dia está infinitamente acabado
e no entanto soa como um tímpano,
um eco de outros ecos excessivos,
para murmurar um outro ciclo
que traga a claridade dum novo além.
.
* Leia também o meu mais recente conto (curto) em CONTOS DE BARÃO aqui
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quarta-feira, 14 de março de 2012
HOMENAGEM À PRIMAVERA
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sexta-feira, 9 de março de 2012
TRAJECTO
O TRAJECTO
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Os rios foram talhados para correr as margens
arrancadas à terra. É esse o trajecto que abarcamos
sob os pés - o trajecto que habitamos nas palavras:
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a luz que escoa a bruma embranquecida da memória.
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Corremos nos caminhos da água que vem nos rios
a nossa própria memória embranquecida sob os pés.
.
E talhamos as margens ao tributo de vitoriar ao sol
a luz que acende o correr do rio que nos habita.
.
inédito
.
veja também O Baile do Marítimo aqui
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