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terça-feira, 10 de dezembro de 2013

POEMA DE NATAL (II)



A ideia de Natal é uma ideia em construção
uma casa comum de barro generoso
feito do sangue e da probabilidade duma cidade
cheia de luz, emergindo de obscuro impulso,
um promontório temível que despedaça as águas
impelidas por vento que vem do chão.

Evocar o Natal é uma ideia de harmonia
entre os naturais irmãos da terra,
o decurso duma semente que floresce
ao calor dum gesto sempre inacabado.  

Façamo-lo hoje ao cair da noite
para celebrar a vida, numa ideia de paz,
para que o barro floresça em paz até ao fim.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

SEM TÍTULO

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É um dos quadros da minha exposição "As Cores do Poema"
e miniatura do livro do mesmo nome.
* O livro contém as 16 miniaturas da exposição.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

POEMA EM NOVEMBRO

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POEMA EM NOVEMBRO 
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a luz breve escoando os restos do vidro
a luz leve moendo a cânfora dos olhos
a luz neve abrindo o pântano do sol

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

UM CAMINHO


Onde inventar um caminho legítimo
para o êxodo, uma porta entreaberta
respirando o ar que vem da terra?

Os muros da cidade sustentam-se
destas incertezas, destas cortinas
de fogo, este balbuciar de cansaços
imperfeitos, tranquilos como fumo
esparso, dispersando vozes alheias.

Não nos inclina a dureza das pedras,
a sua fiel sabedoria de intransigências.

Mas tarde é inútil, para fingir exílios.

Hoje já é ontem, para o fim indiciado.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

PARDALITO

Quanto, pardalito
comungas do meu tempo!

És meu irmão no espaço duma vida,
a minha e a tua vida,
no tempo que é o nosso.

Por isso somos irmãos irrepetíveis
no espaço do tempo
que o tempo dá às nossas vidas.

Por isso, irmão,
de todos os que vivem o espaço que é o nosso,
eu te pertenço como me pertences
e todos nos pertencem

porque a todos pertencemos
à terra ao céu e ao vento
do tempo e do espaço do tempo
irrepetível
que é nosso!


clicar youtube para écran inteiro
O poema que deu origem a este vídeo 
faz parte do meu mais recente livro "As Noites e os Dias".

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

POEMA AO COMPUTADOR

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Oh, meu bento computador,
quanto me trazes em repouso e equilíbrio
com a destreza das tuas funções automáticas
a tua precisa formatação do espaço
e seus limites,
a correcção ortográfica das minhas falhas.
 .
Quanto sustentas a minha serenidade
quando corro os dedos pelos teus sentidos,
substituindo o quartzo já gasto da minha memória
pela eficácia dos teus atributos,
pelo tacto dos teus arranjos algébricos,
para os ecos da palavra
e do suor das cinzas dos meus versos!
 ,
Meu bento computador
quanto bendigo os teus gestos de luz e cores
e o leque das tuas opções adequadas,
nas tons que imprimes no écran dos meus olhos,
na harmonia com que reescreves o acervo
das mil loucuras que trago debaixo das veias,
ou no exercício tecnológico da sintaxe.
que estendes pelas páginas já abertas.

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Tens o dom de inserir estilos de impressão
nos meus devaneios léxicos, prosaicos
suaves como águas que se enxugam nas areias do chão,
silêncios que arquivo no teu sistema de ficheiros
invioláveis, por meu capricho
e teu zelo sereno
na minha vontade
e meus caprichos perecíveis. 
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És a continuação da obra
feita formosura no espaço da página
e nunca me desvias do caminho aberto
com que suponho a arquitectura irregular
dum círculo de palavras, ou dum ciclo de sons
onde inscrevo as minhas dores irreveladas
que ciosamente escondes de olhos estrangeiros,
só acessíveis a quem saiba a palavra-
-passe
da morte adiada programada
da minha vida.
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E agora veja como ficou o vídeo!
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