,

,

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

PARA DESENHAR O DIA



Para desenhar o dia
é necessário um monte de cores
um arco e uma flecha para os pincéis
tocarem a música do violino
 .
e um pardal a saltitar sobre o chão
 .
como fazem outros homens
antes da noite.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

DIA DE GRAÇAS

Festejemos este dia de graças, este sol
como um floco de neve despertando o inverno,
linha azul de luz sobre a terra
cumprindo os desígnios duma flor
no seu pólen de frescura,
para o berço virginal da vida!
 .

Ah, festejemos este dia,
murmúrios de flautas de alegorias e ardência
na interior tranquilidade de ignorar
os ludíbrios, a intransigência do tempo
na sua peregrina missão
de dar-nos uma dia de graças
para festejar uma dia, numa vida!

domingo, 20 de janeiro de 2013

POEMA ILUSTRADO

A PEDIDO DE VÁRIOS CONFRADES,
COLOQUEI MÚSICA NO VÍDEO:
um extracto do Nocturno 3, de Erik Satie.


Este poema, agora em vídeo, 
faz parte do meu livro de miniaturas da exposição 
"As Cores do Poema", ed. Litoral, 2012
Em exposição, os quadros são em A3, com passe-partout e moldura.
No livro, estão em A5.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

O QUE ME RESTA - um prisma óptico desfeito


O que resta
é o que me resta.
 .
Mas vou ainda pegar nestes bocados
de quartzo estilhaçados
aos bocados
e reconstruir o prisma
 .
para ter de novo 
todas as luzes da luz.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

ARRUMAÇÃO


Colocar tudo nos seus devidos lugares ‒
as certezas e as interrogações
 .
Este fogo que arde devagar
colocá-lo no altar das coisas perdidas
-
ao abrigo do medo de deixar alguns lugares
vazios

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

PAZ

… para ver se alcanço
que minha alma durma, tenha paz, descanso (…)
Guerra Junqueiro (1850-1923)
.

Já viste um sonho a afastar-se para longe
do horizonte de teus olhos,
a alma da tua vida a despedaçar os últimos restos da luz?
 .
Quanto sentiste pela tempestade dum ovo
que se desfaz antes do primeiro raio de sol
ou uma velha árvore caída de borco sobre a terra
a um obstinado sopro do vento!?
 .
Onde procuras a paz para a tua alma
senão ouvindo ainda a música
da voz longínqua que embalou os teus verdes anos
no manso mar dum búzio colado ao teu ouvido?
 .
O teu descanso vem longe, quanto distante
é o minuto que esperas para vir outro minuto.
 .
Dorme ainda sobre o silêncio da terra e a voz do mar,
num cântico martirizado pelas esperas ‒
mas que não morre,
enquanto a vida te der o eterno,
na vida.
.
Inédito. Vai para "Dicionário de Citações" (em preparação)