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segunda-feira, 22 de outubro de 2012

O PASSADO


 .
O passado não consente esperas
jÔ vimos tudo de tudo o que era para não ver.
 .
E vendo nos apercebemos o que nĆ£o veremos –
.
o que gostarĆ­amos de ver
nem que fosse um dia só
 .
num poema.

domingo, 7 de outubro de 2012

A FORMUSURA DOS LUGARES


Que fresca a formosura dos lugares,
a distância
aos meus dias de hoje, inquietos.
.
As Ɣrvores enfeitavam suas seivas
e os caminhos por onde andei
cresciam de alegria rente ao rio.
.
Suas Ɣguas paravam na planƭcie
que descia em folhas para o mar
,
e os meus olhos descobriam
a voz cristalina da fogueira
terra e barro, em que me atenho
e não descubro, por caminhos na cidade
os caminhos de outra idade.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

ESTAS MANHƃS


Estas manhãs de cores vivas, claras
que anunciam dilĆŗvios de alegria
e incendeiam os olhos, as margens da terra,
 .
 -
estas manhãs volúveis, terríveis de plenitude
por onde se estende um rumor de asas
transparentes de ritmos, de vertigens breves,
onde redescubro antigos horizontes,
 -
 .
estas manhãs mÔgicas de tranquilidade
onde inscrevo, no limbo duma pedra,
o nome verdadeiro, liso, das cousas.
.
em  TERRACHƃ, ed AJEA, esg.

terƧa-feira, 25 de setembro de 2012

A CINZA DA TARDE


A cinza da tarde Ć© uma subtileza da luz
e do seu destino de fulgĆŖncias breves;
o engenho das cores numa ilusão de cinzas
para o dia fugidio, para os seus esteios.
,
Esconde-se e esconde os seus trâmites,
o seu trânsito das palavras ditas,
um rosƔrio de sons pronunciados
por lƔbios antigos, eruditos em fƔbulas,
mistƩrios de imaginar os seus termos.
 .
Penetra os olhos Ɣgeis, simula o frio do ar,
a predestinação para a bruma dos ocasos,
dissimula a hÔbil vocação das flores
para o caminho da noite, sem ardis.