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domingo, 7 de outubro de 2012

A FORMUSURA DOS LUGARES


Que fresca a formosura dos lugares,
a distância
aos meus dias de hoje, inquietos.
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As árvores enfeitavam suas seivas
e os caminhos por onde andei
cresciam de alegria rente ao rio.
.
Suas águas paravam na planície
que descia em folhas para o mar
,
e os meus olhos descobriam
a voz cristalina da fogueira
terra e barro, em que me atenho
e não descubro, por caminhos na cidade
os caminhos de outra idade.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

ESTAS MANHÃS


Estas manhãs de cores vivas, claras
que anunciam dilúvios de alegria
e incendeiam os olhos, as margens da terra,
 .
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estas manhãs volúveis, terríveis de plenitude
por onde se estende um rumor de asas
transparentes de ritmos, de vertigens breves,
onde redescubro antigos horizontes,
 -
 .
estas manhãs mágicas de tranquilidade
onde inscrevo, no limbo duma pedra,
o nome verdadeiro, liso, das cousas.
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em  TERRACHÃ, ed AJEA, esg.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

A CINZA DA TARDE


A cinza da tarde é uma subtileza da luz
e do seu destino de fulgências breves;
o engenho das cores numa ilusão de cinzas
para o dia fugidio, para os seus esteios.
,
Esconde-se e esconde os seus trâmites,
o seu trânsito das palavras ditas,
um rosário de sons pronunciados
por lábios antigos, eruditos em fábulas,
mistérios de imaginar os seus termos.
 .
Penetra os olhos ágeis, simula o frio do ar,
a predestinação para a bruma dos ocasos,
dissimula a hábil vocação das flores
para o caminho da noite, sem ardis.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

PELAS TARDES DE SETEMBRO


Pelas tardes de Setembro
quando à tarde o sol esmorece a exígua luz
e a luz se desfaz na penumbra dos meus olhos
há um rumor no ar alucinado,
uma labareda de adultas asas de insectos adejando
o assombro que trará a bruma
às sombras da fatal melancolia.
 .
São os ecos dum naufrágio anunciado
em dissertações da ciência do tempo
os sedimentos dos rios
em exercícios da matéria frágil das flores,
suas folhas perecíveis,
seus estigmas que vão no vento.
 -
São as frases nunca pronunciadas
dum texto oculto desvendado
no declínio da voz inquieta
perturbada da terra.
 -
Atentemos pois, nesse momento único,
nessa clarividência da luz clara
esses pedaços da sombra,
como vozes de antigas melodias
das árvores nuas, arrebatadas.
 -
São a nossa própria essência,
um murmúrio das águas derramadas sobre a água,
vestígios de um cântico de paixão
sobre a terra chã, sobre o chão
que ecoa o nossos pés.
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inédito

sábado, 1 de setembro de 2012

A LIBERDADE

Fez recentemente meio século 
que foi publicado o meu segundo livro de poesia 
"Os Sinais da Terra". 
A obra viria a ser proibida, pouco depois, 
pela Censura/Pide do regime salazarista.
Eis um dos poemas desse livro.
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A liberdade natural
das palavras no deserto
.
a verdade livre
na palavra e na distância.
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E esta inevitável ânsia
de fazer perguntas à cidade
.
e do impossível da resposta
inventar a cidade possível.
 .
Ver documentos da época aqui