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sábado, 21 de abril de 2012

COM O TEMPO


 .
Com o tempo
um delírio impoluto cresce em nossos olhos.
 .
Aprendemos a distinguir
um sorriso, o riso austero, o choro da criança
 .
o sal que dá rigor às nossas vidas
ou rói o vigor dos ossos
que nos trazem ainda vertical
.
como sãos os exercícios primaveris de palavras
nunca ditas
.
como que amarelecemos o tempo.

sábado, 14 de abril de 2012

ANTOLOGIA INVERNO

Está publicada a Antologia de Inverno "Acordando Sonhos", 
ed. Pastelaria Studios.
Eis a minha participação: 
























e, no Brasil e Argentina aqui


segunda-feira, 9 de abril de 2012

FONTE DE SABERES


Fonte de saberes é esta rua.
 .
A pedra nua.
 ,
O umbral da porta velha
de ruídos e (de)lírios.
 .
O lancil direito à luz
onde as sombras se afogam
numa sombra
 .
a pronunciar um adeus
aos lírios e aos ruídos.

inédito

segunda-feira, 2 de abril de 2012

NEM SEMPRE É POSSÍVEL


 .
Nem sempre nos é possível encontrar uma romã      
quando se procura uma sombra junto à fonte,
um sentido para a nossa sede urgente, uma luz dízima
para um esquecimento à beira da memória.
 .
Diremos a evidência dos lugares que nos olham
com a indiferente irreverência de claustros
imunes às feições do tempo, seus inquilinos frágeis
– por isso mesmo merecedores dum longo enlace –
ou a uma gota de água para a rede das raízes
que esperam o amante adormecido.
 .
A vida nega-nos a veleidade dum equilíbrio assente
na leveza verdadeira de horizontes claros
 .
e assim nos alimentamos da utopia da visão desnuda
de singulares cometimentos, num quadro improvável
à beira duma fonte onde despontam as romãs
a sede urgente que nunca satisfaz as nossas bocas.
.
Leia também o meu mais recente conto aqui

sábado, 24 de março de 2012

ESTE DIA

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Este dia está infinitamente morto,
sobre ele pairam véus de bruma
diluídos num ludíbrio de sombras,
embora transparente de memórias
que acendem outras memórias.
.
-
Este dia está infinitamente acabado
e no entanto soa como um tímpano,
um eco de outros ecos excessivos,
para murmurar um outro ciclo
que traga a claridade dum novo além.
 .
* Leia também o meu mais recente conto (curto) em CONTOS DE BARÃO aqui

sexta-feira, 9 de março de 2012

TRAJECTO

O TRAJECTO

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Os rios foram talhados para correr as margens

arrancadas à terra. É esse o trajecto que abarcamos

sob os pés - o trajecto que habitamos nas palavras:

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a luz que escoa a bruma embranquecida da memória.

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Corremos nos caminhos da água que vem nos rios

a nossa própria memória embranquecida sob os pés.

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E talhamos as margens ao tributo de vitoriar ao sol

a luz que acende o correr do rio que nos habita.

.

inédito

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veja também O Baile do Marítimo aqui

sábado, 3 de março de 2012

MANHÃS DISTANTES

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Ah manhãs distantes

da minha infância

como vos lembro e relembro

e choro e me entristeço

-

Aqui

apenas me apareço

espectador dos outros e de mim

barco de rumo incerto

ao provir ou ao fim

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Leia também o conto "Carnaval", aqui

domingo, 26 de fevereiro de 2012

SEM TÍTULO (5)

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Um dia tenho que começar a organizar-me

eu que nunca me organizei em coisa nenhuma

.

porque nada me carece ser organizado

e nenhuma coisa me pediu para ser organizada

.

a não ser a teia de entender o que nada sabemos

para o modo e o método de simplesmente ignorar.

.

Mas o tempo urge por debaixo dos pés onde há

um silêncio virtual preso aos rumores do vento.

.

Tenho primeiro de organizar os rumores do vento.

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inédito

sábado, 11 de fevereiro de 2012

POR DETRÁS DAS PALAVRAS

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Ultrapassou os 80 mil visionamentos
o vídeo produzido no Brasil,
sobre o lançamento do meu livro
"Por Detrás das Palavras", em S. Paulo.
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A todos, o meu muito obrigado.

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clicar duas vezes, no vídeo, ao lado, na barra lateral,
para ver o écran inteiro,
no meio da página.
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Leia também o meu conto
aqui
AS FLORES DA TERRA